Josué Rockefeller

Escritor, roterista e engenheiro de software

Se metendo em uma enrascada – A Festa – Parte 1

dez
31

Lucas para na saído  da Logos para atender o celular.

– E aí, conseguiu? – perguntou a voz  no telefone.

– Sim, sim! Paulo – respondeu Lucas, entusiasmado.

– Isso merece uma comemoração, hoje à Alice vai dar um festa na casa dela, será uma festa simples, pouca bebida, poucos amigos e algumas gatas.

– Não sei, acho que prefiro ficar em casa mesmo, jogar GTA5 e assistir filmes.

– Deixa de ser gay, vamos pegar umas gatas. Cara! você merece, estudou bastante, deixou de ter vida social para ser bom no que faz, precisa sair um pouco, fazer novas amizades… Faz quanto tempo que você não transa?!

Lucas fica em silêncio por alguns instantes.

– Isso não é do seu interesse.

– Que nada, hoje você vai sair dessa seca, passo para te buscar as oito…

– Mas eu… filho da mãe! Desligou na minha cara!

– Táxi!

São por volta das sete e quarenta e cinco da noite, as ruas ainda estão bastantes movimentadas, os comércios já estão fechados, exceto os restaurantes e bares, alguns pedestres perambulam pelas calçadas. Um carro anda a toda velocidade, dentro do veículo, Paulo dirige com o braço para fora do carro, de forma relaxada, ele masca um chiclete e curte a brisa da noite, pela janela do carro. Paulo está vestindo uma jaqueta de couro vermelha, cabelo levemente penteado para trás, óculos escuro e uma calça desbotada. O Mustang vira a esquina cantando pneu e para em frente ao prédio, onde fica o apartamento do Lucas. Paulo buzina umas duas vezes.  Passado-se alguns segundos, Lucas surge na portaria do prédio, cumprimenta o porteiro e caminha na direção do carro, sorrindo. Lucas está vestido de esmoquin e gravata.

– Mas o quê?

– Que foi?! – perguntou Lucas.

– Que merda é essa que você está vestindo?

– Isso aqui é um esmoquin.

– Eu sei, mas pra quê?

– Ué! Estamos uma festa – disse Lucas, entrando no carro.

– É uma festa, não para um casamento!

– Então aguarda só um momento, vou subir para trocar de roupa.

– Deixa para lá, vai assim mesmo! Não quero chegar atrasado.

Lucas observa o interior do carro, o qual tem latas de cerveja e algumas caixas de hamburguer jogada no chão.

– Você sempre leva a casa no carro? – constatou Lucas, empurrando os entulhos para o lado para se sentar.

– É que eu não gosto de jogar o lixo na rua, então eu prefiro deixar dentro do carro mesmo. Assim, a primeira oportunidade que tiver, jogarei no lixo – respondeu Paulo.

Lucas olha para o banco de trás e se assusta, ao ver uma boneca sentada em uma cadeirinha de bebê.

– Porque você carrega essa boneca aí?

– É para lubridiar os guardas de trânsito.

– E funciona?

– Geralmente sim, quando os guardas ver uma boneca pela janela do carro, eles pensam que é uma criança.

– Isso é ridículo.

– Mas funciona – disse Paulo, sorrindo e acelerando o carro. O carro arranca, e sai a toda velocidade. Lucas aperta o sinto, um telefone toca.

– Pegue o telefone do porta luvas, por favor.

– Vai atender o telefone dirigindo?

– Sim.

Lucas pega o telefone e entrega para o Paulo.

– Oi gata! – ele esboça um leve sorriso no rosto, fica em silêncio por alguns instantes:

– Sim, já tá no papo, vou pegar hoje a tarde com o meu fornecedor. O produto é de boa qualidade.

– Quem era? – perguntou Lucas.

– Alice.

– Ahh! Bom, vamos ter que pegar uma coisinha no caminho.

– Que coisinha? – perguntou Lucas, curioso.

– Um coisa que irá animar a nossa noite, Lucas – Paulo cospe o chiclete pela janela do carro – Segura aí –  em seguida, dar um cavalo-de-pau e o carro pega velocidade, deixando marcas de pneu na pista, eles vão para o sentido contrário de onde estavam vindo.

(Continua)

Se metendo em uma enrascada – A Entrevista

dez
28

Nova York acorda ao esplendor de uma formidável orquestra natural, mas logo é tomada por sons desafinados de máquinas, carros e buzinas, sons que assolam toda a cidade. Os pedestres infestam as calçadas e os comerciantes abrem as suas lojas.
O som do despertador ecoa aos ouvidos de Lucas, que o desperta, fazendo o desligar o irritante som. Lucas se espreguiça e levanta.Abre as cortinas e os raios solares invadem o quarto escuro, revelando o seu interior, onde há vários quadros pendurados na parede. Bonecos de super heróis a cima de uma prateleira de vidro, que está fixada a parede. Do lado da cabeceira de sua cama, há um Laptop e uma taça de vinho, da qual ainda está pela metade.
– Bom dia! Nova York! – disse Lucas, entusiasmado.
Lucas caminha até o banheiro para se aprontar e ir para a sua primeira entrevista de emprego. Quando Lucas termina o banho, sai do banheiro enrolado em uma toalha e caminha até o seu toca disco, um gramofone de madeira.
– Vamos animar as coisas! – Lucas dar play e começa tocar uma música “Whoa-oa-oa! I feel good” – Lucas começa uma dançadinha desengonçada e canta – So good, so good, I got you…
– Ah… Hoje será um dia e tanto! – disse Lucas, enquanto caminhava até o seu guarda roupas, cantando e dançando a música de James Brown.
Lucas esta em frente ao prédio onde fica o seu apartamento, vestido uma calça jeans combinado a um tênis preto e uma camiseta cinza, esperando a chegada do Uber. Lucas está ansioso e um pouco impaciente. Depois de alguns minutos, ele avista um carro preto estacionado.
– Senhor Lucas? – disse o motorista.

– Sim.

O motorista sai do carro e abre a porta para Lucas.

– Obrigado!– disse Lucas, entrando no carro.

Após alguns minutos a caminho de seu destino, o veiculo acaba em um congestionamento, na Times Square, 6th esquina Broadway. Lucas está agitado, ele olha o seu relógio, ansioso.
– O que está acontecendo? – perguntou Lucas, ao motorista.

– Parece que houve um acidente e avenida encontarsse congestionada, senhor!

Nisso, Lucas não pensa duas vezes, sai do veículo e corre no meio dos carros aglomerados, que buzinam freneticamente. Ele corre até chegar a um prédio enorme, que na fachada está escrito: “Logos – Publicidade e inovação”. Lucas entra correndo.
– Senhor! – disse um guarda, que estava na porta.

– Oi?! – disse Lucas, ofegante.

– Preciso ver a sua identidade, para identificação, senhor.

– Ah, Desculpa! Ufa… Só um momento! – Lucas pega a sua carteira e entrega ao guarda. Ele vai até o computador e digita alguma coisa, Lucas olha no relógio, impaciente.

– Obrigado, senhor – disse o guarda, entregando a identidade para o Lucas.
– De nada!!! – disse Lucas  que caminha alguns metros e volta – Você poderia me informar onde fica o RH?

– Sim, claro… Fica no terceiro andar, segunda porta a direita.

– Obrigado! – disse Lucas.

– Por nada! – disse o guarda.

Lucas entra no elevador e aperta o botão do terceiro andar, o elevador sobe e Lucas sai as presas. Há uma secretária, logo no fim do corredor.
– Oi, eu sou Lucas Warning, vim para uma entrevista.

– Ah! Sim, senhor Warning… Só aguardar, por favor! – disse a secretária.

– Obrigado! – disse Lucas e a secretária apenas sorrir.

Lucas se senta e depois de uns quinze minutos a porta se abre, e um homem sai. Em seguida, uma mulher também sai e cumprimenta o homem.

– Obrigado, senhor Filipe! – ela olha para o Lucas – Lucas?

– Sim?

– Pode entrar, por favor!

 

A mulher organizava alguns papeis na gaveta de sua mesa. Lucas observa a sala, se sentindo um pouco desconfortável.

– Tudo bem, Lucas?

– Para ser sincero, estou um pouco nervoso, essa é a minha primeira entrevista de emprego – disse Lucas, com um pequeno sorriso em seu rosto.

– É normal, acontece com todo mundo – brincou a entrevistadora.

– Bom, meu nome é Luciana, sou chefe do departamento de criação e surgiu uma vaga para diretor de arte.

– Pensei que você fosse a moça do RH – disse Lucas, sorrindo.

– Não, Ha! Ha! Ha! Prefiro entrevistar os candidatos pessoalmente. Assim, sei quem contratar ou não.

– Eu entendo – disse Lucas.

– Presumo que você já deve está ciente de como a Logos é rigorosa, quanto a contratação de novos talentos.

– Sim, estou.

– Você trouxe o seu curriculum?

– Não, é desperdício de papel. Estamos em pleno século XXI, hoje tudo é digital, além do mais, o meio ambiente agradece. Eu enviei em anexo para email do RH.

Luciana sorriu e ligou o monitor do computador. Ela digita alguma coisa, mexe no mouse, observa… pensa um pouco e por fim, fala:

– Você não fez nenhum curso, faculdade ou algo do gênero?

– Não, aprendi com os livros e alguns cursos online. Abaixo do curriculum, tem o link do meu meu portfólio.

– Ah sim; Vejo que você fez um bom trabalho, aprendeu isso tudo só?

– Sim.

– Humm, você gota muito da simplicidade. As cores se encaixam perfeitamente, divino! – disse Luciana, admirada.

– Eu sou um homem modesto, gosto das coisas simples. Algo que passe tranquilidade e acima de tudo, elegância – disse Lucas, empolgado.

– Sim, de fato – disse Luciana, com brilhos nos olhos.

– Me conte um pouco sobre você.

– Bom, eu sou viciado em chiclete, gosto de correr na parte da tarde, sentir o vento bater no meu rosto, gosto de assistir filmes, ler livros de aventuras, livros de ficção científica, tomar um bom vinho, aprender coisas novas, observar a natureza e…

– Desculpa interrompe-lo; mas me refiro ao seus planos de carreira, sua profissão, como se interessou pela área de criação? – perguntou Luciana.

– Na verdade, eu sempre tive uma imaginação muito aguçada, eu vi na arte, a melhor maneira de me expressar. A arte é a melhor ferramenta que temos para expressar o mais profundo do nosso subconsciente.

– Sem dúvida – disse Luciana.

– Um belo dia, eu coloquei na minha cabeça, que iria ser um diretor de arte. Eu já desenhava desde criança. Então, comprei alguns cursos, livros e arregacei as mangas e coloquei em prática. Eu virava à noite, aprendendo, praticando e descobrindo coisas novas. Quando eu já estava confiante o bastante quanto as minhas habilidades, eu divulguei os meus serviços em alguns sites na internet, logo foram surgindo clientes e eu tive a oportunidade de conhecer mais o mercado e as necessidades do mesmo. Assim, pude aprender e aprimorar as minhas habilidades, tive a oportunidade de aprender e expandir o meu leque de conhecimento.

– Legal, bastante interessante – disse Luciana

– Bom, Lucas, foi um prazer conversar com você, eu já estava exausta, quase desistindo, ma depois do milésimo terceiro candidato, você aparece. Fiquei impressionada, Você foi o único que conseguiu me cativar, é sincero, autodidata, sensível, empreendedor, astuto, enfático e tem uma incrível preocupação com o meio ambiente. Você tem tudo que precisamos, bem vindo a Logos – ela o cumprimenta, com um leve sorriso no rosto.

– Muito obrigado. Eu estou sem palavras. Ha! Ha! Ha! – não sei bem o que diz nessas horas, preciso dizer alguma coisa?

– Acho que não, só um sorriso mesmo, já é bastante, foi o que fiz na minha entrevista – disse Luciana, sorrindo. Lucas esboça um largo sorriso em seu rosto.

– Kkkkkkk – sorriu Luciana. Lucas sai da sala.

– Te vejo na segunda – disse Luciana.

– Não vejo a hora – disse Lucas.

– Ah! E não se esqueça de entregar o seus dados a secretária.

– Farei isso, obrigado – disse Lucas, sorrindo.

– Hoje eu vou comemorar, eu mereço – disse Lucas à si mesmo.

(Continua)

 

O Julgamento – Roteiro, curta metragem

dez
22

FADE IN

EXT. PRAÇA DE UMA CIDADE – DIA – TARDE

LUANA está correndo pela praça. A praça está bastante calma, só algumas pessoas que caminham distraídamente. LUANA decide parar de correr e vai até um bebedouro, ela sacia a sua cede e volta a correr. Depois de algum momento correndo, LUANA desacelera e caminha pela calçada. Um caminhão surge do nada e atropela LUANA. A tela escureçe, luana acorda e se levanta. LUANA sente flutuando, ela olha para baixo e se depara com o seu corpo caído no chão.

LUANA

O que aconteceu, por que o meu corpo está caído no chão?

LUANA começa a ser puxada para baixo da terra.

INT. CENTRO DA TERRA – DIA – TARDE

LUANA está sendo sugada para o mais profundo abismo. LUANA passa por vários locais, onde há pessoas sendo torturadas, pessoas gritando e pedindo socorro.

LUANA

Ai meu Deus! O que está acontecendo?

Outro apagão acontece, a tela escureçe.

INT. CENTRO DA TERRA – sala – dia – tarde

A tela clarea e LUANA está sentada na cadeira, em uma sala branca e imensa. Nesta sala, há mais outras duas cadeiras. A claridade da luz irrita os olhos de LUANA, ela precisa colocar as mãos na frente da luz para poder ter uma visão melhor do recinto. Depois de algum momento, ela vê um homem entrando com uma maleta na mão, por uma portinha pequena, a visão de LUANA ainda está ofuscada, mas aos poucos a figura do homem, vai se tornando cada vez mais nítida.

LUANA

Quem é você?

HOMEM

Meu nome é ANTÔNIO, o seu advogado.

ANTÔNIO é um homem elegante, veste paletó e gravata elegante, cabelos bem penteado, roupas engomadas e está na caso dos 30. Ele coloca a sua mala na mesa, puxa a cadeira e se senta.

LUANA

Meu advogado? Mas para quê?! Do que eu fui acusada? Não estou entendendo nada. Onde estou?

ANTÔNIO

Ha! Ha! Ha! Luana, Luana… Ainda não notou? Bem vindo ao inferno!

ANTÔNIO esboça um largo sorriso eu seu rosto.

ANTÔNIO

Gosta de M&M?

ANTÔNIO retira um saquinho de M&Ms do bolso de seu paletó.

LUANA

Não! O quê, meu Deus, eu estou morta?

ANTÔNIO

É Isso aí.

ANTÔNIO retira alguns papeis da maleta.

ANTÔNIO

Ahhh! Bom, vejamos.

Ele folheia alguns papeis.

ANTÔNIO

Luana, Luana, parece que você foi uma má menina quando estava viva. Corrupção, mentiras, lavagem de dinheiro, etc, etc… Até sadomasoquismo! Você está sendo acusada de sadomasoquismo?! O chifrudo não perdoa nada mesmo.

LUANA

Eu não entendo, eu me comportei bem, eu fui uma boa pessoa. Doei dinheiro para os pobres, criei uma ONG e ajudei a gerar muitos empregos. Estou sendo acusada injustamente, sadomasoquismo?! O que é isso? – Disse Luana, fios de lágrimas escorrem pelo seu rosto.

O ANTÔNIO dar de ombros.

ANTÔNIO

Bla, Bla, Bla. Todos dizem a mesma coisa, minha cara.

ANTÔNIO pega alguns M&M do saquinho e joga na boga.

ANTÔNIO

Tem certeza de que não vai querer um desses?

LUANA começa a chorar.

ANTÔNIO

Eu acho que já sei qual é o seu problema. Você está sofrendo de um distúrbio de realidade distorcida.

LUANA

Como assim?

ANTÔNIO

É o seguinte, algumas pessoas mentem tanto, mas tanto mesmo, que acabam desenvolvendo uma realidade paralela para sustentar a própria mentira. Resumindo, você caiu na própria mentira.

ANTÔNIO sorrir e come mais alguns M&Ms.

LUANA

Isso me parece injusto, você não deveria ser o meu defensor?

ANTÔNIO

Não vem me falar de justiça! Eu também vim parar aqui, agora o meu castigo eterno, é ser advogado!

LUANA

Isso não me parece ser um castigo.

ANTÔNIO

Eu preferia ser torturado.

LUANA

O que você fez para vim parar aqui?

ANTÔNIO

Não parece óbvio?! Eu era advogado.

De repente, a sala escurece e surge uma nuvem negra. Desta fumaça, sai uma CRIATURA horrenda, ela possui os olhos largos, cabeça pontuda e chifres de bode.Luana grita desesperadamente.

LUANA

Que criatura horrível! Você é o demônio?

DEMÔNIO

Sim, sou o rei do inferno. Peço desculpas, eu não tinha a pretensão de assusta-la.

O DEMÔNIO caminha até onde o ANTÔNIO está sentado e senta na cadeira ao lado.

DEMÔNIO

Eu não entendo, Antônio, por que todos sempre se assustam ao me ver? Eu sou tão feio assim?

ANTÔNIO

Não Belzebu, as pessoas que são preconceituosas mesmo.

LUANA fica pasma, seu semblante é de incompreensão do que estava contecendo e medo.

DEMÔNIO

Mas eu te entendo Luana, você é como todos os humanos, teme o que não conhece. Humm! Isso é M&Ms?

ANTÔNIO

Sim, quer?

O DEMÔNIO pega um M&M, joga na boca, mastiga lentamente e encara a LUANA, por alguns instantes.

DEMÔNIO

Senhorita.

O DEMÔNIO verifica os papeis na mesa.

DEMÔNIO(cont’d)

Você sabe porque está aqui?

LUANA

Não, eu fui acusada injustamente.

O DEMÔNIO olha para ANTÔNIO, e os dois soltam uma gargalhada.

DEMÔNIO

Certo, todos são acusados injustamente. Já estou farto de ouvir essas desculpas, esfarrapadas!

ANTÔNIO

Luana, você pode fazer um acordo!

LUANA

Se isso for me livrar desse lugar, então eu quero fazer um acordo.

O DEMÔNIO coloca os pés na mesa e cruza os braços.

DEMÔNIO

Veja bem, minha cara! Você tem acusações muito sérias. Será difícil conseguir um acordo! Há não ser que, você tenha alguma coisa para nos oferecer?!

LUANA

Agora eu me lembrei!  Trabalhei com um gênio da política. Se ele cair, levará uma horda inteira de políticos corruptos com ele. Ele é um peixe grande!

O DEMÔNIO olha para o ANTÔNIO. ANTÔNIO oferece outro M&M para o DEMÔNIO, ele come outro M&M.

DEMÔNIO

Curioso… agora você lembrou de tudo?

LUANA

Sim, era responsável por finalizar os acordos com os políticos que ele comprava, e alguns agrados a mais…  O cara foi um ditador, sem derramar um pingo de sangue. Ele foi capaz de dominar todos os três poderes do estado, governou o país por dois mandatos seguidos. É a pessoa mais paciente, calculista e persuasiva que conheço. Eu posso traze-lo até vocês.

O DEMÔNIO pensa por alguns instantes.

DEMÔNIO

Muito bem, você tem uma semana para cumprir o trato! Se você nos trazer esse peixe grande, nós a liberamos, limpamos a sua fixa e você terá uma segunda chance para recomeçar.

LUANA

Muito obrigada! Obrigada, obrigada, obrigada!

O DEMÔNIO avança em LUANA e começa a soca-la no peito.

DEMÔNIO

Acorda! Acorda! Acorda!

LUANA ouve vozes de um MÉDICO.

MÉDICO(V.O)

Três, dois, um, afastem-se! Acorda!

INT. quarto de hospital – noite

O MÉDICO preciona o desfibrilador no peito de LUANA, ela desperta repentinamente, gritando e assustada. Uma enfermeira observa os batimentos do coração de LUANA, em uma áquina ao lado da cama em que LUANA está.

ENFERMEIRA

Sinais de batimentos se estabilizando, DOUTOR.

DOUTOR

Aplique alguma coisa nela para ela se acalmar.

A ENFERMEIRA pega uma seringa e aplicar em LUANA. LUANA observa ao redor, ela está em um quarto de hospital, LUANA está toda enfaixada. A enfermeira liga a TV do quarto. Luana olha para a TV, na programação está  passando uma propaganda eleitoral, na qual um político empertigado diz:

POLÍTICO BARBUDO(V.O)

Eu prometo varrer os corruptos do país!

Tudo se silência, a CÂMERA foca no rosto de LUANA, um sorriso maléfico surge na face do seu rosto e LUANA adormece.

FADE OUT

O Julgamento – Primeira parte

dez
19

É mais um dia comum na vida de Luana, ela está fazendo a sua corrida diária pela praça da cidade.  O sol está quase se pondo, a praça está bem calma, só há algumas pessoas caminhando com os seus animais de estimação. Luana desacelera e caminha distraidamente pela calçada. De repente, surge um caminhão que à atropela, ocorre um apagão. Luana acorda e se levanta, ela olha para baixo e se depara com o seu corpo caído no chão.

– O que aconteceu, por que o meu corpo está caído no chão? – Disse Luana, confusa.

Luana é sugada para centro da terra, passando por vários locais amedrontadores. Luana ouve gritos de pessoas sendo torturadas, choros, desespero e pedidos de socorro.

– Ai me deus! o que está acontecendo? – Disse Luana, amedrontada. Eu… E… Eu  a onde estou?!

Luana é puxada para o mais profundo e horrendo abismo.

– Ahhhhhhh! – Gritava Luana, enquanto era puxada.

De repente, os gritos se cessam, Luana se depara sentada em uma sala branca e imensa. Na sala, tem uma mesa, uma cadeira, na qual, misteriosamente Luana se encontra sentada, e mais outras duas cadeiras à sua frente. A claridade da luz irrita os seus olhos, ela precisa colocar as mãos na frente da luz para poder ter uma visão melhor do recinto. Depois de algum momento, ela vê um homem entrando por uma portinha pequena, a visão de Luana ainda está ofuscada, mas aos poucos a figura do homem vai se tornando cada vez mais nítida.

– Quem é você? – Perguntou Luana.

– Meu nome é Antônio, eu sou o seu advogado – Disse Antônio, que se senta em uma das cadeiras e coloca a mala na mesa.

O advogado é um homem elegante, de paletó e gravata, cabelos bem penteado, roupas engomadas e aparenta ter uns 30 a 40 anos de idade.

– Meu advogado? Mas para quê? Do que eu fui acusada? Não estou entendendo nada. Onde estou?!

– Ha! Ha! Ha! Luana, Luana… Ainda não notou? Bem vindo ao inferno! – O Advogado esboça um largo sorriso eu seu rosto – Gosta de M&M? – Perguntou o Advogado, retirando um pacotinho de M&M do bolso de seu paletó.

– Não! O quê, meu Deus, eu estou morta? – Respondeu Luana, sem entender o que estava acontecendo.

– É isso aí – Disse o advogado, que retira alguns papeis da mala.

– Ahhh! Bom, vejamos… – Disse o Advogado, folheando os papeis – Luana, Luana, parece que você foi uma má menina quando estava viva. Corrupção, mentiras, lavagem de dinheiro, etc, etc… Até sadomasoquismo! Você está sendo acusada de sadomasoquismo?! O chifrudo não perdoa nada mesmo.

– Eu não entendo, eu me comportei bem, eu fui uma boa pessoa. Doei dinheiro para os pobres, criei uma ONG e ajudei a gerar muitos empregos. Estou sendo acusada injustamente, sadomasoquismo?! O que é isso? – Disse Luana, fios de lágrimas escorrem pelo seu rosto.

O Advogado dar de ombros.

– Bla, Bla, Bla. Todos dizem a mesma coisa, minha cara – O Advogado pega um M&M do saquinho e joga em sua boca – Tem certeza de que não vai querer um desses?

Luana não diz nada, permanece chorando, ela está se sentido indignada.

O Advogado à observa…

– Eu acho que já sei qual é o seu problema – Disse o Advogado, enfim. Você está sofrendo de um distúrbio de realidade distorcida.

– Como assim?

– É o seguinte, algumas pessoas mentem tanto, mas tanto mesmo, que acabam desenvolvendo uma realidade paralela para sustentar a própria mentira. Resumindo, você caiu na própria mentira – Disse o Advogado, sorrindo e comendo mais alguns M&Ms.

– Isso me parece injusto, você não deveria ser o meu defensor?

– Não vem me falar de justiça! Eu também vim parar aqui, agora o meu castigo eterno, é ser advogado!

– Isso não me parece ser um castigo.

– Eu preferia ser torturado.

– O que você fez para vim parar aqui?

– Não parece óbvio?! Eu era advogado.

De repente, a sala escurece e surge uma nuvem negra. Desta fumaça, sai uma criatura horrenda, ela possui os olhos largos, cabeça pontuda e chifres de bode.Luana grita desesperadamente.

(Continua)