Josué Rockefeller

Escritor, roterista e engenheiro de software

Uma conversa de varanda

nov
12

Em uma das minhas andanças pela vida, certa vez eu conheci um homem formidável. Não lembro mais o nome do sujeito, é uma pena, mas esse é um dos meus defeitos, sou péssimo quando se trata de lembrar nomes, mas um rosto eu nunca esqueço. Ele tinha uma forma de viver a vida um tanto quanto peculiar.

Certo dia estávamos ele e eu sentados na varanda de sua casa. Uma choupana modesta, simples, mas aconchegante.  Morava aos arredores de uma pacata cidade lá pelo interior do oeste. A casa era adornada por uma cerca de madeira maculada, marcada pelo tempo. Na frente da casa tinha um jardim que irradiava um certo ar de beleza, vida e vigor. As flores se erguiam na sua vividez, denunciando o quanto de carinho e dedicação aquele homem tinha para com elas. Não falhava um só dia em rega-las, cuidava desse jardim como alguém que cuida de um bebê frágil e delicado.  Tinha um hábito de dizer que devemos cuidar da nossa alma como se cuida de um jardim. Se deixar de regar, as flores murcham, devemos poda-las para que não fiquem escancaradas, e temos que ficar atentos quanto as pragas que volte e meia sempre tentam destruir o nosso jardim. Era um dia de primavera, mas a poucos dias para o verão. O ar estava fresco, o perfume das flores ainda pairavam, arrastados pelo vendo brando da quela tarde. O sol já estava quase se pondo, avistei algumas aves planando entre as nuvens em meio a pintura do céu alaranjado e decorado pelo crepúsculo. Sentados nas cadeiras de balaço, fumávamos um charuto cubando, este, era um de muitos outros hábitos dele.

–  Diga-me, por que escolheu essa vida? – perguntei a ale.  Ele recostou na cadeira, deu uma tragada em seu charuto e soprou a fumaça de forma calma e serena, degustando o aroma. Fitou o sol que se recolhia para o submundo e pensou por alguns instantes.

– Uma excelente pergunta – finalmente respondeu ele. Deu um suspiro de como quando você acessa boas lembranças da juventude. E finalmente disse – Eu sempre fui uma pessoa recolhida, centrada dentro de mim. Passei boa parte da minha vida preso em um quarto, lendo livros, conhecendo o mundo pela tela do meu computador, me conhecendo, refletindo sobre a vida, o universo e tudo mais. Já me chamaram de anti-social, de louco, até de um suicida maníaco – Ao dizer essas palavra ele deu umas boas gargalhadas –  Mas nunca me importei com essas baboseiras – continuou ele. O conceito de viver a vida é muito relativo. Para muitas pessoas – continuou ele depois de uma pequena pausa para degustar o charuto –  viver a vida é ir a festas, ficar chapado, ser uma pessoa extremamente social, sair todas as noites, ter inúmeros amigos, se expor suas vidas, demostrar o quanto estão felizes e o que estão fazendo. Banal – quando ele me respondeu isso, a primeira vista, imaginei que ele seria um hipócrita ranzinza, mas ao notar a expressão serena em seu rosto, a forma que ele apreciava tudo aquilo, conclui que aquele homem estava muito longe de ser um ranzinza, mas um homem decidido, imponente, em paz com sigo mesmo, grato, satisfeito e realizado.

– Aprovação social – continuou ele, depois de dar uma outra tragada profunda no charuto. Meu caro, a sociedade nos condiciona a procurar sempre aprovação social. Quando criança, esconde-nos as verdades do mundo, nos mima a pensar que tudo é perfeito, imediato, que temos que seguir estritamente as regras sociais, procurando sempre o sucesso, sermos amado e centro das atenções.  E que a felicidade é medida pelo que temos. Vemos isso nas escolas, onde os ciclos sociais são formados por classes e pouco reconhecimento pelas conquistas intelectuais.

– Mas se apresentarmos as verdades do mundo a uma criança, isso não vai traumatiza-la? – me atrevi a perguntar-lhe.

– Certamente, mas não devemos sermos radicais. Temos que ser sensatos, não encher muito as cabeças das crianças de fantasias e mitos das quais elas crescem acreditando ser uma verdade absoluta. Alguns conseguem se libertar, outros passam o resto da vida com essas crenças, já outros entram em choque e desenvolve diversas mazelas mentais. As verdades devem ser apresentadas as crianças com cautela, de forma que elas não se torne tão ingênuas e que não perda inocência e que instigue a curiosidade.

– Então você pode dizer que viveu a vida plenamente? – perguntei.

– Posso dizer que sim – respondeu ele – eu não vi motivos para ele mentir – como eu estava dizendo, passei boa parte da minha vida preso em um quarto, atrás de livros e do meu computador. Computadores era uma das minhas paixões. Isso me possibilitou a me conhecer melhor, olhar para dentro de mim e com base nisso, compreendi o ser humano. Me tornei o meu próprio psicologo, eu sempre  resolvia os meus conflitos mentais e usei disso para ajudar outras pessoas.

– Essa vida não é solitária? – Ao perguntar isso, imaginei coloca-lo contra a parede. Agora não teria desculpas.

– Fugir da solidão, é fugir de si mesmo –  respondeu ele – É na solidão que nos encontramos. Já parou para pensar o motivo de o ser humano consumir tanto entretenimento?

– Não – respondi.

– Para se manter ocupado, fugir do tédio, não parar para olhar para dentro de si mesmo. Vivemos nessa correria. O trabalho, compromissos sociais e quando finalmente temos um tempo a só, recorremos ao entretenimento. A solidão assusta muitos, mas estes nem imaginam o que podem encontrar na solidão. O eu gritando, acorrentado aos paradigmas, suprimido pelo ego e o teatro social.

– Você nunca casou ou teve filhos?

– Casei sim. Depois de um tempo recolhido, eu sai para explorar o mundo, conheci uma mulher incrível e tivemos um filho que hoje é o CEO da empresa à qual fundei.

– Você não me aparenta ser um homem de negócios.

– Mas fui. Meu sonho era ajudar as pessoas. Criei uma grande empresa que possibilitou criar muitas oportunidades e ajudou a sociedade, ela me rendeu milhões e uma carga enorme de experiência, fracassos, sucesso e aprendizagem. Depois disso, passei ela para o meu filho prosseguir e doei todo o meu dinheiro para uma ONG, que a missão é levar a educação e conhecimento para os países menos favorecidos.

– E o que houve com a sua mulher?

– Sucumbiu-se ao câncer.

– Sinto muito.

– Tudo bem, ela foi uma grande mulher, realizamos muito juntos. Tinha um espírito nobre, altruísta, nada abalava o seu senso de humor, sua maior paixão era ajudar as pessoas, admito que ela me transformou. Partiu em paz.

Depois disso passamos a falar sobre outros assuntos, dos quais eu não vejo relevância em escreva-los aqui, meus caros leitores. Mas este homem é um exemplo de poucos homens que buscam ser um ser humano melhor. Ele me inspirou e me ensinou a dar o melhor de mim para ser melhor a cada dia.

 

OBS(A revisão deste texto foi feita de relance, então perdoi-me os erros encontrado)

A vampirinha

out
13

Era uma noite de quarta feira de inverno, estava frio, acabara de chover a tarde, o que deixou o ar com uma sensação agradável misturado um cheiro de terra molhada. Meus colegas do trabalho tinha um hábito de ir quase todas as quartas na lanchonete para comer hambúrguer e nesse dia eles me convidaram para ir junto. A primeira vista eu recusei, disse que tinha alguns assuntos a tratar, mas quando falaram que tinha um sorvetinho grátis, ah! Eu aceitei sem pestanejar. Chagando lá, nada fora do comum, ambiente típico de qualquer lanchonete. As pessoas abocanhavam seus deliciosos hambúrguers, perdendo-se no êxtase dos sabores. Fomos ao caixa e fizemos os nossos pedidos e nos acomodamos nas cadeiras para apreciar o lanche da noite, mas no meu caso já seria o jantar.

Minutos depois, vislumbro a garota mais bonita que eu já vi na vida. Quando digo bonita, não me refiro apenas beleza física, mas tudo como um todo nela era belo, uma deusa do olimpo, que fazia qualquer homem agradecer por ter nascido homem. Aqueles olhos puxados, buliçosos, brilhavam como as estrelas do cinturão de Órion. Sua voz divina era tão terna e bela quanto o canto da sereia. Ela era um ser angelical, de olhar profundo, o seu caminhado era um tanto quanto sensual, o brilho do seu sorriso deixava os meus olhos ofuscados. Enfim, eu poderia ficar horas e horas falando de sua beleza, de sua simpatia, de sua ternura e etc. Mas o meu tempo é breve, estou quase partindo para se juntar ao cosmos e tornar-se parte desse vasto universo. O nome dela é Fabiana, a qual mais tarde eu vim descobrir que era uma vampira. Com alguma dificuldade eu conseguir pegar o Facebook dela e depois o WhatsApp. Conversamos por muito tempo até que ela me chamou para sair. Admito que fiquei desconfiado deveras, pois estamos acostumados que o homem que chama uma mulher para sair, naturalmente. Mas devemos quebrar os padrões, deixar os preconceitos de lado. Foi um dia agradável, conversamos, sorrimos bastante, tomamos açaí e para fechar a noite fomos ao cinema para assistir um filme de terror….

Passado-se alguns dias, achava-me deitado na cama as 2 horas da madrugada, conversava com a Fabiana. Depois de uma longa conversa eu notei que as suas palavras denunciaram certas preocupações, perguntei a ela o que se passava. Então ela admitiu que era uma vampira, temia pela minha segurança, pois disse que a princípio eu era apenas uma presa, mas acabou gostando de mim e ela não tinha mais intenção de me machucar, pediu para eu se afastar dela, pois quando transforma a sua cede é incontrolável. Eu já estava perdidamente apaixonado, nada mais importava, o medo era insignificante na quela altura do campeonato e o amor falava mais alto. A partir daquele dia ela começou a me evitar, não lia mais as minhas mensagens e não retornava mais as minhas ligações. Comecei a ficar preocupado; por onde ela andava, me evitava prematuramente? Essas questões assolavam a minha mente, eu não conseguia aceitar, tinha de fazer alguma coisa, decidi declarar o meu amor por ela, nem que para isso custasse a minha vida.

Fui onde ela trabalhava, mas não a encontrei, então fui na casa dela. Chegando lá, me deparei com a porta entreaberta. Abri vagarosamente e adentrei, estava escuro, eu sussurrava o seu nome na esperança de finalmente ouvir a sua doce voz novamente. De repente, eu vi um vulto e só tive a chance de sentir uma mordida no meu pescoço. Sentir a pior dor da minha vida, mas peculiar, era uma dor misturada com prazer. Olhei para minha pele e ela estava ficando pálida, meu sangue simplesmente estava parando de correr pelo o meu corpo, tudo se apagou. Em um frugal de tempo, vi vários flashbacks dos momentos que passei com a Fabiana. Ah! aquela deusa correndo entre as flores, sorrindo e seus cabelos longos sendo balançado pelo vento. Seu beijo, simplesmente não tenho palavras.

Acordei em um sobresalto e me deparei com o seu rosto cheio de lagrimas, não disse uma palavra, apenas me beijou e desapareceu na penumbra.

Senti o meu coração parando, já não tinha mais forças para continuar, a respiração estava se findando. Lentamente a vida foi deixando o meu corpo e tudo a minha volta enegrecia. Em um último ato eu ainda consegui sussurrar uma palavra “Vampirinha” e me entreguei ao desconhecido com um leve sorriso no rosto.

No fundo do poço

fev
04

Encarei o meu reflexo no espelho….

– Como cheguei a esse ponto? – pensei.

Eu estava um lixo, acabado. Lavei o meu rosto e voltei a fixar os meus olhos naquela imagem em decadência. Como sempre, o dia para mim era uma batalha infindável.

– Ahhh! Mais um dia! Quando isso vai acabar? – murmurei

No trabalho….

Eu olhava para tela do meu computador à minha frente, papeis empilhados ao meu lado, a desorganização na minha mesa era gritante, bem como o resto da minha vida. De repente, me deparei pensado nos tempos da juventude e refazendo as mesmas perguntas. O que aconteceu comigo?! Para onde foi aquele garotinho cheio de vida, entusiasmado e que um dia sonhava em conquistar o mundo?

Daí a pouco senti o gosto da amargura descer por minha garganta; sentia a respiração ofegante, o suor  escorrendo frio pelo meu corpo, pensava comigo mesmo que esse seria o meu fim, mas não era, era apenas a ansiedade batendo à porta.

Subitamente…

– Roberto! – me assustei, voltei à realidade. Olhei para o meu supervisor que me fitava.

– Que foi? – perguntei.

– Você é surdo?

– Não.

– Por que não atendeu o telefone?

– Desculpe, eu estava distraído, são problemas da vida… nada demais.

– Sem desculpas, preciso do relatório até sexta. E dessa vez, não se atrase, caso contrário, terei que tomar medidas drásticas.

– Pode deixar – respondi com a cabeça baixa.

– O que houve com você rapaz? Um dia você já foi um dos nossos melhores funcionários. Acho melhor você tirar o resto do dia de folga. Para ser franco, você está um lixo. Quando foi a última vez que você foi ao barbeiro e tomou um banho de verdade?

Ele tinha razão, eu havia me desleixado. Precisava de ar puro. Sai apressado do prédio e me sentei na calçada. Fios de lágrimas escorriam pelo meu rosto. Bradei-me a chorar…

– Por que a vida tem que ser tão difícil, por que precisamos sofrer tanto? – Dizia para mim mesmo sem uma resposta satisfatória.

Eu já não aguentava mais aquela carga emocional. O curioso era que as pessoas que passavam à minha volta, não me dava a mínima importância. Eu só precisava de um consolo, uma palavra amiga, mas sofria só, como muitos neste mundo. Estamos presos dentro de nós mesmos, cada qual em seu mundo obscuro e impenetrável.

Levantei-me e segui rumo à praça central, me sentei no primeiro banco que encontrei. Tempos depois, uma mulher que empurrava um carrinho de bebê, se senta ao meu lado. Dentro do carrinho, havia uma pequena e delicada flor, a qual aparentava ter menos de sete meses que estava aqui neste mundo. Aqueles olhos buliçosos, cheios de vida, encaravam-me, como se compreendesse o que eu estava sentindo. Seu rosto delineava um sorriso tão doce e ingênuo, que nunca o esqueci.

– Sorria o máximo que puder garotinha, você não tem a menor ideia do que a vida lhe aguarda. Ela é fria, cruel e impiedosa – disse eu.

A mulher olhou para min, de forma assustada, levantou-se e sai apressadamente sem olhar para trás.

Senti-me o coração arder, aquele não era eu. Fiquei ali, inerte, por horas, refletindo sobre a vida; sobre as minhas atitudes, procurando as causas dos meus problemas, do meu sofrimento, das minhas frustrações, eu procurava um culpado… uma desculpa, mas para a minha surpresa, não havia. Era primavera; tudo emanava vida e delicadeza. Nas arvores, as flores eram um espetáculo, cada qual mais bonita do que a outra, senti-me revigorado. Aí eu pude compreender que a vida é muito mais do que acreditamos ser. Que nada é por acaso, que sou responsável por cada ato, e os meus problemas eram insignificantes, frente as maravilhas da vida. Lembrei-me do sorriso ingênuo daquela garotinha. Isso me fez pensar que eu deveria sorrir mais, ser mais grato, ser menos apegado as coisas, que os problemas do passado já se foram, não precisava ficar me martirizando, culpando-me por algo que não podia controlar. O importante é aprender com os erros e seguir em frente, basta uma atitude de coragem e otimismo.

Levantei-me mudado e passei a olhar a vida, de uma outra perspectiva.

 

Se metendo em uma enrascada – Quem brinca com fogo acaba de se queimando

jan
31

– É o cara da esquerda chefe – ouviu Lucas, que estava com a cabeça vendada. Lucas acabará de acorda, não tinha a menor ideia de onde se encontrava e do que estava acontecendo, mas pelo cheiro de peixe podre que exalava, presumiu que estava em algum porto, aos arredores da Nova York.

– Quem é esse outro? – Perguntou um homem com uma vós estridente, sua vós passava um ar de frieza. Lucas também podia sentir um forte cheiro de charuto.

– Eu não sei chefe, ele não estava junto com esse maluco.

Fez bem em tirar a foto da placa do carro dele, bastou eu ligar para um contato do departamento de trânsito, que eles rastrearam a placa do carro em poucos minutos.

– Agora sai daqui! Me deve o dobro.

– Mas eu não perdi, ele roubou de min.

– Não importa! Para deixar de ser burro, terá que me pagar em dobro.

Lucas apenas ouve uma porta se fechando. De repente a venda é retirada, Lucas olha para o lado e vê Paulo sentado em uma cadeira ao seu lado, ele se sente desnorteado, ainda tentava compreender o que havia acontecido. Dois homens do acidente estavam em pé, ao lado de um homem barbudo, sentado em uma cadeira no meio deles. Este homem estava fumando um charuto. Ele degusta o charuto, sopra a fumaça para sim, de forma leve e paciente. O homem se levanta caminha de um lado para o outro e enfim, fala:

– Sabia que no oriente médio eles arrancam as mãos de quem rouba? – ele pausa e olha para o dois, que não tem a menor ideia do que ele estava falando.

– Eu não estou entendendo, o que você quer com a gente? – perguntou Lucas.

– É cara! o que fizemos?! – gritou Paulo.

O homem joga o charuto no chão e o esfrega com o pé.

– O que fizeram?! – gritou o homem.

– Vou fazer vocês de exemplo, vão aprender a nunca roubarem o cachorro louco!

– Senhor, você nos confundiu com a outra pessoa, nunca roubei ninguém, que dizer, roubei uma borracha na escola, quando eu era criança, mas isso já foi a muito tempo. Por favor, não nos mate, eu não roubei nada! – disse Lucas.

– Ah… mano, a droga! – sussurrou Paulo, para si mesmo.

– Senhor, você está enganado…

– Lucas, foi a droga que roubei daquele traficante – disse Paulo.

– Droga Paulo! Você sempre me mete nessas enrascadas!

– É! que belo amigo que você tem – disse o homem. Sinto muito por está nessa situação, rapaz, não é nada pessoal, são apenas negócios. Sabe, preciso dar o exemplo, seu eu deixarem vocês saírem ilesos, vão sair dizendo por aí que qualquer um pode roubar o cachorro louco e sair ileso. Assim, vou perder o respeito nas ruas. Bom, vamos andar logo com isso, tenho outros assuntos para resolver. Quem vai ser o primeiro?!

– Meu amigo não tem nada a ver com isso, deixe ele ir. Olha, ele é um cara legal, não fez nada para está nessa situação, só estava lugar errado na hora errada. Eu roubei a droga, então eu que estou com dívida com você.

– Admirável, mas será os dois. Vamos peguem! – ordenou aos dois homens.

– Por favor não, não precisa ser assim  – esperneava Lucas.

– Podemos pagar! – gritava Paulo.

– Não se trata de dinheiro, tenho uma reputação para manter.

– Vamos logo  que eu não tenho o dia todo!

Os capangas arrastam os dois para uma mesa e prendem as mãos deles. O homem barbudo pega um facão e desliza o dedo lentamente pelo corte do facão.

– Vamos lá! – quando o homem levanta o facão a cima de sua cabeça para desferir o golpe final, quando a porta do galpão é arrombada.

– FBI, mãos ao auto – gritou um agente encapuzado; é o cachorro louco, pegamos ele em flagrante – disse o agente ao rádio. Assim que o agente transpassa pela porta, mais outros surgem.

O cachorro Louco e seus capangas são presos…

Sendo tratados pelos paramédicos, Paulo e Lucas ainda estão apreensivos com o acontecido. Um agente se aproxima…

– Estávamos na cola desse patife a três meses, só esperando o momento certo. Parabéns rapazes, vocês ajudaram a captura o cachorro louco! – disse o agênte.

– Você?!

– Sim, precisei me disfarçar de traficante para chegar até o chefão, mas para prende-lo, tinha que pega-lo em flagrante, e você… roubando aquela droga, me deu a oportunidade certa.

– Seu filho da mãe, nos usou como isca!

– Sua mãe nunca disse: “quem brinca com fogo acaba se queimando?”

– Isso que é ironia  – disse Lucas.

De repente surge um mustang prateado, que encosta ao lado deles.

– Um pequeno agradecimento por ter ajudado o nosso departamento, mesmo que sem querer.

– Caramba! – preciso fazer isso mais vezes.

– Ha! Ha! Ha! Não, se fizer isso de novo, terei que prende-lo – disse o agente sorrindo, retirando-se.

No primeiro dia de trabalho do Lucas…

– Bom dia, Lucas, preparado para o primeiro dia de trabalho? –  disse Luciana.

– Com certeza- disse Lucas.

– E como foi o seu final de semana? – perguntou Luciana.

– Foi…- Lucas pensa por alguns instantes –  Não podia te sido melhor – disse Lucas, com um largo sorriso no rosto.

(FIM)

Se metendo em uma enrascada – A Ressaca

jan
28

Lucas acorda com um terrível dor de cabeça, quanto mais a sua visão se tornava nítida, ficava claro para Lucas, que onde ele estava, não era o seu quarto. As suas roupas estavam jogadas pelo chão e ele só estava apenas de cueca.

– Mas o quê?! – disse Lucas, apertando as palpebras com força, a fim de ter uma visão mais clara do recinto.

Ele se encontra em um típico quarto de república. Ao seu lado, há uma mulher dormindo; ela tem uma pele morena, macia e bem bronzeada, está na casa dos 24 anos e ela é de uma beleza média.

– Oi garanhão! – disse a mulher, que se levanta e caminha até o banheiro. Depois de alguns instantes, Lucas ouve o som do chuveiro.

Lucas fica inerte na cama, a sua cabeça dói, ao mesmo tempo que ele sente-se confuso, com medo e ansioso, percebe uma leve sensação de leveza; também sente a sua garganta seca. Lucas pega uma garrafa de água mineral, que estava em cima do balcão e a bebe loucamente.

– Caramba! Eu fiz sexo com a quela mulher?! Mas… Não me lembro de nada. Será se usei preservativos?! – Lucas fica mais preocupado, sonda a carteira para verificar se a camisinha que ele sempre carregava com sigo estava lá, para o caso de alguma emergência(o que era quase impossível de acontecer, até aquele momento). Para sua surpresa e preocupação, a camisinha estava na carteira. Lucas toma outro gole d’água e senta-se na cama, pasmo. Poucos segundos depois, ele ouve o som do chuveiro se findando e a mulher sai do quarto enrolada a uma toalha.

– Fizemos sexo? – perguntou Lucas.

– Oh! Sim, fizemos – disse a mulher, sorrindo.

– Sem proteção? – perguntou Lucas.

– Claro que não, eu sou prevenida; ela anda até a cômoda, ao lado da cama, e abre uma gaveta, onde há várias camisinhas.  Lucas respira aliviado.

– Como eu vim parar aqui? – perguntou Lucas.

– Não se lembra? – a mulher deixa cair a toalha, ficando-se nua, e abre o guarda roupas.

– Não.

– Estávamos na festa… – ela pega dois vestidos do guarda roupas; um Jeans Desbotado e outro Vestido Viscose e fica parada na frente do espelho, observando-os. Conversamos e bebemos a noite toda; continuou a mulher. Você me convidou para ir a outro lugar, aí eu perguntei para onde você queria ir, aí você disse: tanto faz. Bom, aqui estamos; ela se vira – qual desses você prefere?

– Qual você escolheu? – perguntou Lucas.

– Ah! Acho que esse Jeans.

– Eu gostei do Jeans – respondeu Lucas. Combina perfeitamente com você.

A mulher olha no espelho novamente, observa o vestido e se veste.

– O que você faz? – perguntou a mulher.

– Eu vou começar a trabalhar como diretor de arte na segunda – respondeu Lucas, vestindo a suas roupas.

– Legal – respondeu ela.

– Bom, preciso ir, tchau! – disse Lucas.

– Tchau! – respondeu a mulher. Lucas sai do quarto, mas volta segundos depois.

– Desculpa, mas qual é o seu nome? – perguntou Lucas, se sentindo embaraçado com toda aquela situação.

– Thais – respondeu a garota, sorrindo.

– Foi um prazer, Thais.

– Literalmente – disse a garota.

Ele fecha a porta e caminha vagarosamente até à cozinha da república, de repente, surge uma garota só de alcinha e sutiã.

– Oi – disse a garota.

– Ah! me desculpa – disse Lucas, tentando virar os olhos para o outro lado. A garota solta um leve sorriso no rosto e abre a geladeira, Lucas apreças os passos, rumo a porta da sala.

Do lado de fora; Lucas palpando os bolsos da calça, procurando o seu celular, mas não o encontra, então Lucas observa ao seu a redor e avista um orelhão do outro lado da rua. A danada da dor de cabeça ainda o perturbava.

– Alô! – disse a outra vós, no outro lado da linha.

– Paulo? – disse Lucas.

– Sim, quem é?

– Sou eu.

– Eu quem?!

– Lucas.

– Ahh! Lucas, a onde você está! Um instante você estava na festa, em outro não estava lá mais, você desapareceu.

– Eu não sei bem, eu acho que é uma república. Só sei que acordei no quarto de uma garota, com uma dor de cabeça infernal.

– Qual o nome da garota?

– Thais.

– Eu sei onde você está, não sai dai, já estou a caminho!

Alguns minutos mais tarde, Paulo chega com o seu carro, como sempre, exibindo-se a toda velocidade.

– Meu garoto! – disse Paulo. Toma, esqueceu lá na festa; entregando o celular para Lucas.

– Obrigado, eu achei que havia perdido.

– Você transou com a Thais?

– Acho que sim.

– Você acha ou tem certeza?

– Bom, ela disse que fizemos sexo, mas eu não me lembro.

– Normal, isso também já aconteceu comigo.

– Esses dois dias estão sendo uma loucura.

– Lucas, meu caro. Você é um cara de muita sorte; passou em uma entrevista e perdeu a virgindade no mesmo dia!

– Nada, eu nem pretendia. Sei lá, bebi de mais e aconteceu.

– Bom, considere-se feito – disse Paulo, dando um tapinha nas costa de Lucas.

De repente, eles sentem um impacto, e o carro capota duas vezes. Segundos depois; Lucas abre os olhos, os dois estavam de cabeça para baixo, presos ao sinto de segurança,  Paulo estava desacordado. A visão de Lucas, ainda estava ofuscada, mas ele pode ver dois homens se aproximando do carro. Um dos homens se abaixa e fica observando para o estrago do carro, admirando-se com o seu trabalho.

– Ajude-nos – tentava dizer Lucas, com a voz sussurrada, o curioso é que a dor de cabeça havia passado, Lucas só sentia a dor de um pequeno corte na testa.

O homem olha para Lucas; sorrir e lhe desfere um soco no rosto, Lucas se apaga.

(Continua)

 

Se metendo em uma enrascada – A Festa – Parte 3

jan
24

Os dois amigos chegam na festa. Lucas se sente mais relaxado.

– Festa pequena? – disse Lucas, que se surpreende ao ver vários carros estacionado na rua da casa de Alice.

– Deve ser dos vizinhos – disse Paulo.

– Sei – disse Lucas, sarcástico.

– Oiii! – disse uma Loira bonita, surgindo na porta. Ela está usando um batom vermelho como sangue, ela está vestida com uma saia provocantemente curta e, o seu decote é capaz de deixar qualquer homem louco.

– Oi, Alice – disse Paulo, que abraça ela de forma que aperta os seus seios ao seu peito, firmemente – Esse é o meu amigo Lucas.

– Oi – disse Lucas, que à cumprimenta com um aperto de mão, Alice apenas solta um leve sorriso.

– Vamos entrar – disse Alice.

Quando eles entram, se deparam com uma casa cheia de universitários, bêbados, casais se agarrando aos cantos das paredes, pessoas dançando e algumas pessoas conversando em grupos, que espiam e cochicham baixinhos:

– Quem é esse maluco? Onde ele pensa que está, em um casamento? – dizia alguns.

– Não estou gostando desse lugar – disse Lucas.

– Relaxa! – disse Paulo.

Um homem magricela passa na frente deles, segurando duas garrafas de cervejas.

– Tome, vai te ajudar a relaxar! – disse Paulo, que toma uma cerveja do homem magricela.

– Ei!!! Essa é minha! – reclamou o homem magricela.

– Algum problema?! – disse Paulo, peitando o magricela.

– Não… – disse o magricela, que sai.

Lucas dar uma golada na garrafa de cerveja.

– Vai com calma; disse Paulo – Paulo vê Alice conversando com algumas garotas, ao pé da escada – Espere aqui neste sofá, volto já! – Paulo caminha até perto de onde há uma garota dançando de forma sensual, que devorava o Lucas com os olhos, depois volta.

– Eu esqueci, pega a parada lá no carro, por favor! – gritou Paulo, jogando as chaves para o Lucas e voltando a prosseguir rumo à Alice.

Lucas se espreme entre as pessoas para sair da casa. Lá fora, ainda havia pessoas chegando, um homem vomitava nos arbustos do vizinho, perto de onde Paulo havia estacionado o carro.

– O que eu vim fazer aqui? Poderia está no meu belo apartamento, fazendo outra coisa melhor, mas não, eu tinha que ouvir o Paulo! – resmungava Lucas. Ele abre a porta e vê o pacote de maconha em cima do banco. Cara, isso vai dar merda! – disse Lucas.

Lucas volta para a festa, mas Paulo estava conversando distraidamente com Alice. Lucas senta no sofá, coloca o pacote em uma mesinha há sua frente e observa Paulo conversar com Alice, ao pé da escada. De vez em quando, Paulo cochichava nos ouvidos de Alice e ela soltava um gargalhada.

– Filho da mãe! – disse Paulo. Quando Paulo retoma a sua visão para a mesinha, a droga já não estava mais lá.

– Oxe?! – disse Paulo, assustado. Ele procura aos arredores, mas ao olhar para baixo, ele vê o pacote de maconha, que já estava aberto e caído no chão, ao lado dele, estava um homem magricela espumando pela boca e tendo convulsões.

– Socorro! Socorro! – Gritava Lucas. A festa parou repentinamente, todos voltaram à atenção para Lucas – Ele está tendo um overdose, alguém ajuda aqui!

Todos correm para verem o que estava acontecendo, tumultuando a sala.

– Deixe-me passar! Deixe-me passar! Eu posso ajudar! – disse uma vós entre a multidão.

– O que está acontecendo? – Perguntou o homem ao Lucas.

– Ele está tendo uma overdose  – disse Lucas, apontando para o homem magricela, caído no chão – Você é médico? – perguntou Lucas.

– Sim, dou aula de medicina na universidade.

O médico ajoelha ao lado do homem magricela e faz os procedimentos dos primeiros socorros. Dali a poucos minutos, o homem volta a respirar normalmente ele conta que tinha um problema de convulções, que isso lhe ocorre quase sempre. Aliviados, todos voltam a badalar. Lucas, se senta no sofá e reflete um pouco.

– Overdose de maconha?!  – disse Lucas, sorrindo de si mesmo. Ele encara o pacote de maconha que ainda estava caído no chão. Ah! que se dane! Lucas faz um cigarro e fuma ele todo, pega uma garrafa de cerveja dar um gole e entra no meio das pessoas, que dançando e começa a dançar e tomar cerveja freneticamente. Lucas mistura todo tipo de bebida; vodka, whiskey, cerveja e etc. Lucas já não conseguia sentir o seu rosto, estava bêbado, chapado e via o mundo girando ao seu redor  e aos poucos ele se ele vai perdendo a consciência e o controle sobre si mesmo, ele cai no chão e sua visão escurece.

(continua)

 

Se metendo em uma enrascada – A Festa – Parte 2

jan
11

O carro encosta em um beco escuro.

– Que lugar é esse?  – Perguntou Lucas.

– Preciso pegar uma parada, é essencial em toda as festas que se preze – Disse Paulo, saindo do carro.

– Que parada? Você não está falando de drogas, está?!

– Espere aqui, não demoro.

– Vai me deixar aqui?!

– É rápido! – disse Paulo, que já estava um pouco distante.

Paulo sobe uma escada, ao fim, tem um  homem todo encapuzado, encostado na parede. Ele veste roupas e tênis descolados, aparenta ter uns 26 anos de idade.

– Você tem a parada? – perguntou Paulo, ao homem.

O homem faz um gesto com a cabeça, chamando Paulo  para subira as escadas. Paulo segue o traficante, os dois entram em uma porta no fim da escada, virando a direita, perto de uma TV velha.

Lucas, preocupado, tranca as portas do carro.

Dentro da cabana tem um sofá velho, todo rasgado. No canto da parede, há uma televisão antiga em cima de alguns tijolos, no meio da salinha, há uma mesa de madeira velha.

– Espere aqui – O homem vai na cozinha, depois de alguns segundos ele  retorna com 1kg de maconha, uma balança e um saquinho de jujuba. O traficante coloca tudo em cima da mesa velha, abre o pacote e coloca um pouco de maconha no saquinho de jujuba, mede na balança “105g” e depois entrega para o Paulo.
– São 210,95 R$ – disse o traficante.

Paulo retira do 250,00 R$ do bolso e entrega ao traficante.

– Você não tem trocado? – perguntou o traficante.

– Não, é só o que tenho aqui.

– Sem problemas, aguenta um minutinho aí, vou pegar o seu troco – disse o traficante, que entra na cozinha. Paulo escuta o traficante derramando moedas em cima de alguma mesa na cozinha.

– Não usa aqui não! – disse o traficante, da cozinha.

– Pode ficar tranquilo, não vou usar aqui não, é para uma festa.

– Legal! – gritou o traficante.

Paulo espera pacientemente, ouvindo moedas tilintarem na cozinha. Ele repara o pequeno recinto e imagina como alguém poderia morar em um buraco como este? Para ele, todos os traficantes moram em casas de luxo, pois o trafico rende-lhes uma boa grana, mas talvez esse traficante esteja usando local apenas como fachada. O pacote de maconha na mesa chama a sua atenção, Paulo fica tentado com a quantidade de maconha que está em sua frente. Imagina o que poderia fazer com tudo aquilo? O saquinho de jujubas não era nada em relação a toda aquela maconha na mesa, duraria a noite inteira, a festa ia ser de mais.  Ele olha para o saquinho de jujubas e se desanima, Isso não vai dar nem para o começo, pensou ele.
Paulo pega o pacote de maconha e corre.

Lucas vê Paulo descendo à escada correndo, Paulo entra no carro desesperadamente e joga o pacote de maconha no banco de trás do carro.

– Isso é maconha?

– Sim – disse Paulo, ofegante e sorrindo, tentando ligar o carro.

– Você deu sorte, eras as minhas últimas moedas – disse o traficante, entrando na sala, mas Paulo não estava mais lá e nem o pacote de maconha, apenas o saquinho de jujubas – Desgraçado! – o traficante sai da espelunca a toda velocidade.

– Liga! Liga! – suplicava Paulo.

O traficante está descendo a escada, nervoso, saca a arma e atira na direção do carro.

– Droga! – gritou Lucas – Que merda você fez agora?!

Outro tiro, esse acerta janela tUraseira, que à estilhaça.

– Vamos! Vamos! Va… Aí! – o carro liga, Paulo acelera e sai a toda velocidade.

– Uhuuuu – gritou Paulo.

– Filho da puta! Você me paga – gritou o traficante, parado no meio da rua, atirando. Ele pega o celular e tira uma foto da placa do carro.

– Você é Louco, tem ideia do que acabou de fazer? E se ele vier atrás da gente?

– Há! que se dane, fique calmo cara, Já passou. Ele é só um traficante qualquer, não vai dar trabalho.  – Ficar calmo?! Você está falando sério?
Paulo apenas olha para Lucas e sorrir.
(Continua)

Se metendo em uma enrascada – A Festa – Parte 1

dez
31

Lucas para na saído  da Logos para atender o celular.

– E aí, conseguiu? – perguntou a voz  no telefone.

– Sim, sim! Paulo – respondeu Lucas, entusiasmado.

– Isso merece uma comemoração, hoje à Alice vai dar um festa na casa dela, será uma festa simples, pouca bebida, poucos amigos e algumas gatas.

– Não sei, acho que prefiro ficar em casa mesmo, jogar GTA5 e assistir filmes.

– Deixa de ser gay, vamos pegar umas gatas. Cara! você merece, estudou bastante, deixou de ter vida social para ser bom no que faz, precisa sair um pouco, fazer novas amizades… Faz quanto tempo que você não transa?!

Lucas fica em silêncio por alguns instantes.

– Isso não é do seu interesse.

– Que nada, hoje você vai sair dessa seca, passo para te buscar as oito…

– Mas eu… filho da mãe! Desligou na minha cara!

– Táxi!

São por volta das sete e quarenta e cinco da noite, as ruas ainda estão bastantes movimentadas, os comércios já estão fechados, exceto os restaurantes e bares, alguns pedestres perambulam pelas calçadas. Um carro anda a toda velocidade, dentro do veículo, Paulo dirige com o braço para fora do carro, de forma relaxada, ele masca um chiclete e curte a brisa da noite, pela janela do carro. Paulo está vestindo uma jaqueta de couro vermelha, cabelo levemente penteado para trás, óculos escuro e uma calça desbotada. O Mustang vira a esquina cantando pneu e para em frente ao prédio, onde fica o apartamento do Lucas. Paulo buzina umas duas vezes.  Passado-se alguns segundos, Lucas surge na portaria do prédio, cumprimenta o porteiro e caminha na direção do carro, sorrindo. Lucas está vestido de esmoquin e gravata.

– Mas o quê?

– Que foi?! – perguntou Lucas.

– Que merda é essa que você está vestindo?

– Isso aqui é um esmoquin.

– Eu sei, mas pra quê?

– Ué! Estamos uma festa – disse Lucas, entrando no carro.

– É uma festa, não para um casamento!

– Então aguarda só um momento, vou subir para trocar de roupa.

– Deixa para lá, vai assim mesmo! Não quero chegar atrasado.

Lucas observa o interior do carro, o qual tem latas de cerveja e algumas caixas de hamburguer jogada no chão.

– Você sempre leva a casa no carro? – constatou Lucas, empurrando os entulhos para o lado para se sentar.

– É que eu não gosto de jogar o lixo na rua, então eu prefiro deixar dentro do carro mesmo. Assim, a primeira oportunidade que tiver, jogarei no lixo – respondeu Paulo.

Lucas olha para o banco de trás e se assusta, ao ver uma boneca sentada em uma cadeirinha de bebê.

– Porque você carrega essa boneca aí?

– É para lubridiar os guardas de trânsito.

– E funciona?

– Geralmente sim, quando os guardas ver uma boneca pela janela do carro, eles pensam que é uma criança.

– Isso é ridículo.

– Mas funciona – disse Paulo, sorrindo e acelerando o carro. O carro arranca, e sai a toda velocidade. Lucas aperta o sinto, um telefone toca.

– Pegue o telefone do porta luvas, por favor.

– Vai atender o telefone dirigindo?

– Sim.

Lucas pega o telefone e entrega para o Paulo.

– Oi gata! – ele esboça um leve sorriso no rosto, fica em silêncio por alguns instantes:

– Sim, já tá no papo, vou pegar hoje a tarde com o meu fornecedor. O produto é de boa qualidade.

– Quem era? – perguntou Lucas.

– Alice.

– Ahh! Bom, vamos ter que pegar uma coisinha no caminho.

– Que coisinha? – perguntou Lucas, curioso.

– Um coisa que irá animar a nossa noite, Lucas – Paulo cospe o chiclete pela janela do carro – Segura aí –  em seguida, dar um cavalo-de-pau e o carro pega velocidade, deixando marcas de pneu na pista, eles vão para o sentido contrário de onde estavam vindo.

(Continua)

Se metendo em uma enrascada – A Entrevista

dez
28

Nova York acorda ao esplendor de uma formidável orquestra natural, mas logo é tomada por sons desafinados de máquinas, carros e buzinas, sons que assolam toda a cidade. Os pedestres infestam as calçadas e os comerciantes abrem as suas lojas.
O som do despertador ecoa aos ouvidos de Lucas, que o desperta, fazendo o desligar o irritante som. Lucas se espreguiça e levanta.Abre as cortinas e os raios solares invadem o quarto escuro, revelando o seu interior, onde há vários quadros pendurados na parede. Bonecos de super heróis a cima de uma prateleira de vidro, que está fixada a parede. Do lado da cabeceira de sua cama, há um Laptop e uma taça de vinho, da qual ainda está pela metade.
– Bom dia! Nova York! – disse Lucas, entusiasmado.
Lucas caminha até o banheiro para se aprontar e ir para a sua primeira entrevista de emprego. Quando Lucas termina o banho, sai do banheiro enrolado em uma toalha e caminha até o seu toca disco, um gramofone de madeira.
– Vamos animar as coisas! – Lucas dar play e começa tocar uma música “Whoa-oa-oa! I feel good” – Lucas começa uma dançadinha desengonçada e canta – So good, so good, I got you…
– Ah… Hoje será um dia e tanto! – disse Lucas, enquanto caminhava até o seu guarda roupas, cantando e dançando a música de James Brown.
Lucas esta em frente ao prédio onde fica o seu apartamento, vestido uma calça jeans combinado a um tênis preto e uma camiseta cinza, esperando a chegada do Uber. Lucas está ansioso e um pouco impaciente. Depois de alguns minutos, ele avista um carro preto estacionado.
– Senhor Lucas? – disse o motorista.

– Sim.

O motorista sai do carro e abre a porta para Lucas.

– Obrigado!– disse Lucas, entrando no carro.

Após alguns minutos a caminho de seu destino, o veiculo acaba em um congestionamento, na Times Square, 6th esquina Broadway. Lucas está agitado, ele olha o seu relógio, ansioso.
– O que está acontecendo? – perguntou Lucas, ao motorista.

– Parece que houve um acidente e avenida encontarsse congestionada, senhor!

Nisso, Lucas não pensa duas vezes, sai do veículo e corre no meio dos carros aglomerados, que buzinam freneticamente. Ele corre até chegar a um prédio enorme, que na fachada está escrito: “Logos – Publicidade e inovação”. Lucas entra correndo.
– Senhor! – disse um guarda, que estava na porta.

– Oi?! – disse Lucas, ofegante.

– Preciso ver a sua identidade, para identificação, senhor.

– Ah, Desculpa! Ufa… Só um momento! – Lucas pega a sua carteira e entrega ao guarda. Ele vai até o computador e digita alguma coisa, Lucas olha no relógio, impaciente.

– Obrigado, senhor – disse o guarda, entregando a identidade para o Lucas.
– De nada!!! – disse Lucas  que caminha alguns metros e volta – Você poderia me informar onde fica o RH?

– Sim, claro… Fica no terceiro andar, segunda porta a direita.

– Obrigado! – disse Lucas.

– Por nada! – disse o guarda.

Lucas entra no elevador e aperta o botão do terceiro andar, o elevador sobe e Lucas sai as presas. Há uma secretária, logo no fim do corredor.
– Oi, eu sou Lucas Warning, vim para uma entrevista.

– Ah! Sim, senhor Warning… Só aguardar, por favor! – disse a secretária.

– Obrigado! – disse Lucas e a secretária apenas sorrir.

Lucas se senta e depois de uns quinze minutos a porta se abre, e um homem sai. Em seguida, uma mulher também sai e cumprimenta o homem.

– Obrigado, senhor Filipe! – ela olha para o Lucas – Lucas?

– Sim?

– Pode entrar, por favor!

 

A mulher organizava alguns papeis na gaveta de sua mesa. Lucas observa a sala, se sentindo um pouco desconfortável.

– Tudo bem, Lucas?

– Para ser sincero, estou um pouco nervoso, essa é a minha primeira entrevista de emprego – disse Lucas, com um pequeno sorriso em seu rosto.

– É normal, acontece com todo mundo – brincou a entrevistadora.

– Bom, meu nome é Luciana, sou chefe do departamento de criação e surgiu uma vaga para diretor de arte.

– Pensei que você fosse a moça do RH – disse Lucas, sorrindo.

– Não, Ha! Ha! Ha! Prefiro entrevistar os candidatos pessoalmente. Assim, sei quem contratar ou não.

– Eu entendo – disse Lucas.

– Presumo que você já deve está ciente de como a Logos é rigorosa, quanto a contratação de novos talentos.

– Sim, estou.

– Você trouxe o seu curriculum?

– Não, é desperdício de papel. Estamos em pleno século XXI, hoje tudo é digital, além do mais, o meio ambiente agradece. Eu enviei em anexo para email do RH.

Luciana sorriu e ligou o monitor do computador. Ela digita alguma coisa, mexe no mouse, observa… pensa um pouco e por fim, fala:

– Você não fez nenhum curso, faculdade ou algo do gênero?

– Não, aprendi com os livros e alguns cursos online. Abaixo do curriculum, tem o link do meu meu portfólio.

– Ah sim; Vejo que você fez um bom trabalho, aprendeu isso tudo só?

– Sim.

– Humm, você gota muito da simplicidade. As cores se encaixam perfeitamente, divino! – disse Luciana, admirada.

– Eu sou um homem modesto, gosto das coisas simples. Algo que passe tranquilidade e acima de tudo, elegância – disse Lucas, empolgado.

– Sim, de fato – disse Luciana, com brilhos nos olhos.

– Me conte um pouco sobre você.

– Bom, eu sou viciado em chiclete, gosto de correr na parte da tarde, sentir o vento bater no meu rosto, gosto de assistir filmes, ler livros de aventuras, livros de ficção científica, tomar um bom vinho, aprender coisas novas, observar a natureza e…

– Desculpa interrompe-lo; mas me refiro ao seus planos de carreira, sua profissão, como se interessou pela área de criação? – perguntou Luciana.

– Na verdade, eu sempre tive uma imaginação muito aguçada, eu vi na arte, a melhor maneira de me expressar. A arte é a melhor ferramenta que temos para expressar o mais profundo do nosso subconsciente.

– Sem dúvida – disse Luciana.

– Um belo dia, eu coloquei na minha cabeça, que iria ser um diretor de arte. Eu já desenhava desde criança. Então, comprei alguns cursos, livros e arregacei as mangas e coloquei em prática. Eu virava à noite, aprendendo, praticando e descobrindo coisas novas. Quando eu já estava confiante o bastante quanto as minhas habilidades, eu divulguei os meus serviços em alguns sites na internet, logo foram surgindo clientes e eu tive a oportunidade de conhecer mais o mercado e as necessidades do mesmo. Assim, pude aprender e aprimorar as minhas habilidades, tive a oportunidade de aprender e expandir o meu leque de conhecimento.

– Legal, bastante interessante – disse Luciana

– Bom, Lucas, foi um prazer conversar com você, eu já estava exausta, quase desistindo, ma depois do milésimo terceiro candidato, você aparece. Fiquei impressionada, Você foi o único que conseguiu me cativar, é sincero, autodidata, sensível, empreendedor, astuto, enfático e tem uma incrível preocupação com o meio ambiente. Você tem tudo que precisamos, bem vindo a Logos – ela o cumprimenta, com um leve sorriso no rosto.

– Muito obrigado. Eu estou sem palavras. Ha! Ha! Ha! – não sei bem o que diz nessas horas, preciso dizer alguma coisa?

– Acho que não, só um sorriso mesmo, já é bastante, foi o que fiz na minha entrevista – disse Luciana, sorrindo. Lucas esboça um largo sorriso em seu rosto.

– Kkkkkkk – sorriu Luciana. Lucas sai da sala.

– Te vejo na segunda – disse Luciana.

– Não vejo a hora – disse Lucas.

– Ah! E não se esqueça de entregar o seus dados a secretária.

– Farei isso, obrigado – disse Lucas, sorrindo.

– Hoje eu vou comemorar, eu mereço – disse Lucas à si mesmo.

(Continua)

 

O Julgamento – Primeira parte

dez
19

É mais um dia comum na vida de Luana, ela está fazendo a sua corrida diária pela praça da cidade.  O sol está quase se pondo, a praça está bem calma, só há algumas pessoas caminhando com os seus animais de estimação. Luana desacelera e caminha distraidamente pela calçada. De repente, surge um caminhão que à atropela, ocorre um apagão. Luana acorda e se levanta, ela olha para baixo e se depara com o seu corpo caído no chão.

– O que aconteceu, por que o meu corpo está caído no chão? – Disse Luana, confusa.

Luana é sugada para centro da terra, passando por vários locais amedrontadores. Luana ouve gritos de pessoas sendo torturadas, choros, desespero e pedidos de socorro.

– Ai me deus! o que está acontecendo? – Disse Luana, amedrontada. Eu… E… Eu  a onde estou?!

Luana é puxada para o mais profundo e horrendo abismo.

– Ahhhhhhh! – Gritava Luana, enquanto era puxada.

De repente, os gritos se cessam, Luana se depara sentada em uma sala branca e imensa. Na sala, tem uma mesa, uma cadeira, na qual, misteriosamente Luana se encontra sentada, e mais outras duas cadeiras à sua frente. A claridade da luz irrita os seus olhos, ela precisa colocar as mãos na frente da luz para poder ter uma visão melhor do recinto. Depois de algum momento, ela vê um homem entrando por uma portinha pequena, a visão de Luana ainda está ofuscada, mas aos poucos a figura do homem vai se tornando cada vez mais nítida.

– Quem é você? – Perguntou Luana.

– Meu nome é Antônio, eu sou o seu advogado – Disse Antônio, que se senta em uma das cadeiras e coloca a mala na mesa.

O advogado é um homem elegante, de paletó e gravata, cabelos bem penteado, roupas engomadas e aparenta ter uns 30 a 40 anos de idade.

– Meu advogado? Mas para quê? Do que eu fui acusada? Não estou entendendo nada. Onde estou?!

– Ha! Ha! Ha! Luana, Luana… Ainda não notou? Bem vindo ao inferno! – O Advogado esboça um largo sorriso eu seu rosto – Gosta de M&M? – Perguntou o Advogado, retirando um pacotinho de M&M do bolso de seu paletó.

– Não! O quê, meu Deus, eu estou morta? – Respondeu Luana, sem entender o que estava acontecendo.

– É isso aí – Disse o advogado, que retira alguns papeis da mala.

– Ahhh! Bom, vejamos… – Disse o Advogado, folheando os papeis – Luana, Luana, parece que você foi uma má menina quando estava viva. Corrupção, mentiras, lavagem de dinheiro, etc, etc… Até sadomasoquismo! Você está sendo acusada de sadomasoquismo?! O chifrudo não perdoa nada mesmo.

– Eu não entendo, eu me comportei bem, eu fui uma boa pessoa. Doei dinheiro para os pobres, criei uma ONG e ajudei a gerar muitos empregos. Estou sendo acusada injustamente, sadomasoquismo?! O que é isso? – Disse Luana, fios de lágrimas escorrem pelo seu rosto.

O Advogado dar de ombros.

– Bla, Bla, Bla. Todos dizem a mesma coisa, minha cara – O Advogado pega um M&M do saquinho e joga em sua boca – Tem certeza de que não vai querer um desses?

Luana não diz nada, permanece chorando, ela está se sentido indignada.

O Advogado à observa…

– Eu acho que já sei qual é o seu problema – Disse o Advogado, enfim. Você está sofrendo de um distúrbio de realidade distorcida.

– Como assim?

– É o seguinte, algumas pessoas mentem tanto, mas tanto mesmo, que acabam desenvolvendo uma realidade paralela para sustentar a própria mentira. Resumindo, você caiu na própria mentira – Disse o Advogado, sorrindo e comendo mais alguns M&Ms.

– Isso me parece injusto, você não deveria ser o meu defensor?

– Não vem me falar de justiça! Eu também vim parar aqui, agora o meu castigo eterno, é ser advogado!

– Isso não me parece ser um castigo.

– Eu preferia ser torturado.

– O que você fez para vim parar aqui?

– Não parece óbvio?! Eu era advogado.

De repente, a sala escurece e surge uma nuvem negra. Desta fumaça, sai uma criatura horrenda, ela possui os olhos largos, cabeça pontuda e chifres de bode.Luana grita desesperadamente.

(Continua)