O Julgamento – Primeira parte

É mais um dia comum na vida de Luana, ela está fazendo a sua corrida diária pela praça da cidade.  O sol está quase se pondo, a praça está bem calma, só há algumas pessoas caminhando com os seus animais de estimação. Luana desacelera e caminha distraidamente pela calçada. De repente, surge um caminhão que à atropela, ocorre um apagão. Luana acorda e se levanta, ela olha para baixo e se depara com o seu corpo caído no chão.

– O que aconteceu, por que o meu corpo está caído no chão? – Disse Luana, confusa.

Luana é sugada para centro da terra, passando por vários locais amedrontadores. Luana ouve gritos de pessoas sendo torturadas, choros, desespero e pedidos de socorro.

– Ai me deus! o que está acontecendo? – Disse Luana, amedrontada. Eu… E… Eu  a onde estou?!

Luana é puxada para o mais profundo e horrendo abismo.

– Ahhhhhhh! – Gritava Luana, enquanto era puxada.

De repente, os gritos se cessam, Luana se depara sentada em uma sala branca e imensa. Na sala, tem uma mesa, uma cadeira, na qual, misteriosamente Luana se encontra sentada, e mais outras duas cadeiras à sua frente. A claridade da luz irrita os seus olhos, ela precisa colocar as mãos na frente da luz para poder ter uma visão melhor do recinto. Depois de algum momento, ela vê um homem entrando por uma portinha pequena, a visão de Luana ainda está ofuscada, mas aos poucos a figura do homem vai se tornando cada vez mais nítida.

– Quem é você? – Perguntou Luana.

– Meu nome é Antônio, eu sou o seu advogado – Disse Antônio, que se senta em uma das cadeiras e coloca a mala na mesa.

O advogado é um homem elegante, de paletó e gravata, cabelos bem penteado, roupas engomadas e aparenta ter uns 30 a 40 anos de idade.

– Meu advogado? Mas para quê? Do que eu fui acusada? Não estou entendendo nada. Onde estou?!

– Ha! Ha! Ha! Luana, Luana… Ainda não notou? Bem vindo ao inferno! – O Advogado esboça um largo sorriso eu seu rosto – Gosta de M&M? – Perguntou o Advogado, retirando um pacotinho de M&M do bolso de seu paletó.

– Não! O quê, meu Deus, eu estou morta? – Respondeu Luana, sem entender o que estava acontecendo.

– É isso aí – Disse o advogado, que retira alguns papeis da mala.

– Ahhh! Bom, vejamos… – Disse o Advogado, folheando os papeis – Luana, Luana, parece que você foi uma má menina quando estava viva. Corrupção, mentiras, lavagem de dinheiro, etc, etc… Até sadomasoquismo! Você está sendo acusada de sadomasoquismo?! O chifrudo não perdoa nada mesmo.

– Eu não entendo, eu me comportei bem, eu fui uma boa pessoa. Doei dinheiro para os pobres, criei uma ONG e ajudei a gerar muitos empregos. Estou sendo acusada injustamente, sadomasoquismo?! O que é isso? – Disse Luana, fios de lágrimas escorrem pelo seu rosto.

O Advogado dar de ombros.

– Bla, Bla, Bla. Todos dizem a mesma coisa, minha cara – O Advogado pega um M&M do saquinho e joga em sua boca – Tem certeza de que não vai querer um desses?

Luana não diz nada, permanece chorando, ela está se sentido indignada.

O Advogado à observa…

– Eu acho que já sei qual é o seu problema – Disse o Advogado, enfim. Você está sofrendo de um distúrbio de realidade distorcida.

– Como assim?

– É o seguinte, algumas pessoas mentem tanto, mas tanto mesmo, que acabam desenvolvendo uma realidade paralela para sustentar a própria mentira. Resumindo, você caiu na própria mentira – Disse o Advogado, sorrindo e comendo mais alguns M&Ms.

– Isso me parece injusto, você não deveria ser o meu defensor?

– Não vem me falar de justiça! Eu também vim parar aqui, agora o meu castigo eterno, é ser advogado!

– Isso não me parece ser um castigo.

– Eu preferia ser torturado.

– O que você fez para vim parar aqui?

– Não parece óbvio?! Eu era advogado.

De repente, a sala escurece e surge uma nuvem negra. Desta fumaça, sai uma criatura horrenda, ela possui os olhos largos, cabeça pontuda e chifres de bode.Luana grita desesperadamente.

(Continua)

 

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