O Julgamento – Roteiro, curta metragem

FADE IN

EXT. PRAÇA DE UMA CIDADE – DIA – TARDE

LUANA está correndo pela praça. A praça está bastante calma, só algumas pessoas que caminham distraídamente. LUANA decide parar de correr e vai até um bebedouro, ela sacia a sua cede e volta a correr. Depois de algum momento correndo, LUANA desacelera e caminha pela calçada. Um caminhão surge do nada e atropela LUANA. A tela escureçe, luana acorda e se levanta. LUANA sente flutuando, ela olha para baixo e se depara com o seu corpo caído no chão.

LUANA

O que aconteceu, por que o meu corpo está caído no chão?

LUANA começa a ser puxada para baixo da terra.

INT. CENTRO DA TERRA – DIA – TARDE

LUANA está sendo sugada para o mais profundo abismo. LUANA passa por vários locais, onde há pessoas sendo torturadas, pessoas gritando e pedindo socorro.

LUANA

Ai meu Deus! O que está acontecendo?

Outro apagão acontece, a tela escureçe.

INT. CENTRO DA TERRA – sala – dia – tarde

A tela clarea e LUANA está sentada na cadeira, em uma sala branca e imensa. Nesta sala, há mais outras duas cadeiras. A claridade da luz irrita os olhos de LUANA, ela precisa colocar as mãos na frente da luz para poder ter uma visão melhor do recinto. Depois de algum momento, ela vê um homem entrando com uma maleta na mão, por uma portinha pequena, a visão de LUANA ainda está ofuscada, mas aos poucos a figura do homem, vai se tornando cada vez mais nítida.

LUANA

Quem é você?

HOMEM

Meu nome é ANTÔNIO, o seu advogado.

ANTÔNIO é um homem elegante, veste paletó e gravata elegante, cabelos bem penteado, roupas engomadas e está na caso dos 30. Ele coloca a sua mala na mesa, puxa a cadeira e se senta.

LUANA

Meu advogado? Mas para quê?! Do que eu fui acusada? Não estou entendendo nada. Onde estou?

ANTÔNIO

Ha! Ha! Ha! Luana, Luana… Ainda não notou? Bem vindo ao inferno!

ANTÔNIO esboça um largo sorriso eu seu rosto.

ANTÔNIO

Gosta de M&M?

ANTÔNIO retira um saquinho de M&Ms do bolso de seu paletó.

LUANA

Não! O quê, meu Deus, eu estou morta?

ANTÔNIO

É Isso aí.

ANTÔNIO retira alguns papeis da maleta.

ANTÔNIO

Ahhh! Bom, vejamos.

Ele folheia alguns papeis.

ANTÔNIO

Luana, Luana, parece que você foi uma má menina quando estava viva. Corrupção, mentiras, lavagem de dinheiro, etc, etc… Até sadomasoquismo! Você está sendo acusada de sadomasoquismo?! O chifrudo não perdoa nada mesmo.

LUANA

Eu não entendo, eu me comportei bem, eu fui uma boa pessoa. Doei dinheiro para os pobres, criei uma ONG e ajudei a gerar muitos empregos. Estou sendo acusada injustamente, sadomasoquismo?! O que é isso? – Disse Luana, fios de lágrimas escorrem pelo seu rosto.

O ANTÔNIO dar de ombros.

ANTÔNIO

Bla, Bla, Bla. Todos dizem a mesma coisa, minha cara.

ANTÔNIO pega alguns M&M do saquinho e joga na boga.

ANTÔNIO

Tem certeza de que não vai querer um desses?

LUANA começa a chorar.

ANTÔNIO

Eu acho que já sei qual é o seu problema. Você está sofrendo de um distúrbio de realidade distorcida.

LUANA

Como assim?

ANTÔNIO

É o seguinte, algumas pessoas mentem tanto, mas tanto mesmo, que acabam desenvolvendo uma realidade paralela para sustentar a própria mentira. Resumindo, você caiu na própria mentira.

ANTÔNIO sorrir e come mais alguns M&Ms.

LUANA

Isso me parece injusto, você não deveria ser o meu defensor?

ANTÔNIO

Não vem me falar de justiça! Eu também vim parar aqui, agora o meu castigo eterno, é ser advogado!

LUANA

Isso não me parece ser um castigo.

ANTÔNIO

Eu preferia ser torturado.

LUANA

O que você fez para vim parar aqui?

ANTÔNIO

Não parece óbvio?! Eu era advogado.

De repente, a sala escurece e surge uma nuvem negra. Desta fumaça, sai uma CRIATURA horrenda, ela possui os olhos largos, cabeça pontuda e chifres de bode.Luana grita desesperadamente.

LUANA

Que criatura horrível! Você é o demônio?

DEMÔNIO

Sim, sou o rei do inferno. Peço desculpas, eu não tinha a pretensão de assusta-la.

O DEMÔNIO caminha até onde o ANTÔNIO está sentado e senta na cadeira ao lado.

DEMÔNIO

Eu não entendo, Antônio, por que todos sempre se assustam ao me ver? Eu sou tão feio assim?

ANTÔNIO

Não Belzebu, as pessoas que são preconceituosas mesmo.

LUANA fica pasma, seu semblante é de incompreensão do que estava contecendo e medo.

DEMÔNIO

Mas eu te entendo Luana, você é como todos os humanos, teme o que não conhece. Humm! Isso é M&Ms?

ANTÔNIO

Sim, quer?

O DEMÔNIO pega um M&M, joga na boca, mastiga lentamente e encara a LUANA, por alguns instantes.

DEMÔNIO

Senhorita.

O DEMÔNIO verifica os papeis na mesa.

DEMÔNIO(cont’d)

Você sabe porque está aqui?

LUANA

Não, eu fui acusada injustamente.

O DEMÔNIO olha para ANTÔNIO, e os dois soltam uma gargalhada.

DEMÔNIO

Certo, todos são acusados injustamente. Já estou farto de ouvir essas desculpas, esfarrapadas!

ANTÔNIO

Luana, você pode fazer um acordo!

LUANA

Se isso for me livrar desse lugar, então eu quero fazer um acordo.

O DEMÔNIO coloca os pés na mesa e cruza os braços.

DEMÔNIO

Veja bem, minha cara! Você tem acusações muito sérias. Será difícil conseguir um acordo! Há não ser que, você tenha alguma coisa para nos oferecer?!

LUANA

Agora eu me lembrei!  Trabalhei com um gênio da política. Se ele cair, levará uma horda inteira de políticos corruptos com ele. Ele é um peixe grande!

O DEMÔNIO olha para o ANTÔNIO. ANTÔNIO oferece outro M&M para o DEMÔNIO, ele come outro M&M.

DEMÔNIO

Curioso… agora você lembrou de tudo?

LUANA

Sim, era responsável por finalizar os acordos com os políticos que ele comprava, e alguns agrados a mais…  O cara foi um ditador, sem derramar um pingo de sangue. Ele foi capaz de dominar todos os três poderes do estado, governou o país por dois mandatos seguidos. É a pessoa mais paciente, calculista e persuasiva que conheço. Eu posso traze-lo até vocês.

O DEMÔNIO pensa por alguns instantes.

DEMÔNIO

Muito bem, você tem uma semana para cumprir o trato! Se você nos trazer esse peixe grande, nós a liberamos, limpamos a sua fixa e você terá uma segunda chance para recomeçar.

LUANA

Muito obrigada! Obrigada, obrigada, obrigada!

O DEMÔNIO avança em LUANA e começa a soca-la no peito.

DEMÔNIO

Acorda! Acorda! Acorda!

LUANA ouve vozes de um MÉDICO.

MÉDICO(V.O)

Três, dois, um, afastem-se! Acorda!

INT. quarto de hospital – noite

O MÉDICO preciona o desfibrilador no peito de LUANA, ela desperta repentinamente, gritando e assustada. Uma enfermeira observa os batimentos do coração de LUANA, em uma áquina ao lado da cama em que LUANA está.

ENFERMEIRA

Sinais de batimentos se estabilizando, DOUTOR.

DOUTOR

Aplique alguma coisa nela para ela se acalmar.

A ENFERMEIRA pega uma seringa e aplicar em LUANA. LUANA observa ao redor, ela está em um quarto de hospital, LUANA está toda enfaixada. A enfermeira liga a TV do quarto. Luana olha para a TV, na programação está  passando uma propaganda eleitoral, na qual um político empertigado diz:

POLÍTICO BARBUDO(V.O)

Eu prometo varrer os corruptos do país!

Tudo se silência, a CÂMERA foca no rosto de LUANA, um sorriso maléfico surge na face do seu rosto e LUANA adormece.

FADE OUT

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