Josué Rockefeller

Escritor, roterista e engenheiro de software

O Amor

nov
03

O amor purifica a alma, poli os nossos espíritos, nos enche de alegria, nos transforma e nos proporciona a sermos melhores todos os dias. Há algo de melhor neste mundo senão o amor?

A mulher

nov
03

A mulher é bela e encantadora,
cheia de charme e protetora.

Sua mente enigmática me instiga a ama-la cada vez mais.
Curvas não me é a essência, posto que unicamente a de ser formosa.
O seu sorriso doce, alegria me traz.
Seu toque divino apazígua a minha alma.

A vampirinha

out
13

Era uma noite de quarta feira de inverno, estava frio, acabara de chover a tarde, o que deixou o ar com uma sensação agradável misturado um cheiro de terra molhada. Meus colegas do trabalho tinha um hábito de ir quase todas as quartas na lanchonete para comer hambúrguer e nesse dia eles me convidaram para ir junto. A primeira vista eu recusei, disse que tinha alguns assuntos a tratar, mas quando falaram que tinha um sorvetinho grátis, ah! Eu aceitei sem pestanejar. Chagando lá, nada fora do comum, ambiente típico de qualquer lanchonete. As pessoas abocanhavam seus deliciosos hambúrguers, perdendo-se no êxtase dos sabores. Fomos ao caixa e fizemos os nossos pedidos e nos acomodamos nas cadeiras para apreciar o lanche da noite, mas no meu caso já seria o jantar.

Minutos depois, vislumbro a garota mais bonita que eu já vi na vida. Quando digo bonita, não me refiro apenas beleza física, mas tudo como um todo nela era belo, uma deusa do olimpo, que fazia qualquer homem agradecer por ter nascido homem. Aqueles olhos puxados, buliçosos, brilhavam como as estrelas do cinturão de Órion. Sua voz divina era tão terna e bela quanto o canto da sereia. Ela era um ser angelical, de olhar profundo, o seu caminhado era um tanto quanto sensual, o brilho do seu sorriso deixava os meus olhos ofuscados. Enfim, eu poderia ficar horas e horas falando de sua beleza, de sua simpatia, de sua ternura e etc. Mas o meu tempo é breve, estou quase partindo para se juntar ao cosmos e tornar-se parte desse vasto universo. O nome dela é Fabiana, a qual mais tarde eu vim descobrir que era uma vampira. Com alguma dificuldade eu conseguir pegar o Facebook dela e depois o WhatsApp. Conversamos por muito tempo até que ela me chamou para sair. Admito que fiquei desconfiado deveras, pois estamos acostumados que o homem que chama uma mulher para sair, naturalmente. Mas devemos quebrar os padrões, deixar os preconceitos de lado. Foi um dia agradável, conversamos, sorrimos bastante, tomamos açaí e para fechar a noite fomos ao cinema para assistir um filme de terror….

Passado-se alguns dias, achava-me deitado na cama as 2 horas da madrugada, conversava com a Fabiana. Depois de uma longa conversa eu notei que as suas palavras denunciaram certas preocupações, perguntei a ela o que se passava. Então ela admitiu que era uma vampira, temia pela minha segurança, pois disse que a princípio eu era apenas uma presa, mas acabou gostando de mim e ela não tinha mais intenção de me machucar, pediu para eu se afastar dela, pois quando transforma a sua cede é incontrolável. Eu já estava perdidamente apaixonado, nada mais importava, o medo era insignificante na quela altura do campeonato e o amor falava mais alto. A partir daquele dia ela começou a me evitar, não lia mais as minhas mensagens e não retornava mais as minhas ligações. Comecei a ficar preocupado; por onde ela andava, me evitava prematuramente? Essas questões assolavam a minha mente, eu não conseguia aceitar, tinha de fazer alguma coisa, decidi declarar o meu amor por ela, nem que para isso custasse a minha vida.

Fui onde ela trabalhava, mas não a encontrei, então fui na casa dela. Chegando lá, me deparei com a porta entreaberta. Abri vagarosamente e adentrei, estava escuro, eu sussurrava o seu nome na esperança de finalmente ouvir a sua doce voz novamente. De repente, eu vi um vulto e só tive a chance de sentir uma mordida no meu pescoço. Sentir a pior dor da minha vida, mas peculiar, era uma dor misturada com prazer. Olhei para minha pele e ela estava ficando pálida, meu sangue simplesmente estava parando de correr pelo o meu corpo, tudo se apagou. Em um frugal de tempo, vi vários flashbacks dos momentos que passei com a Fabiana. Ah! aquela deusa correndo entre as flores, sorrindo e seus cabelos longos sendo balançado pelo vento. Seu beijo, simplesmente não tenho palavras.

Acordei em um sobresalto e me deparei com o seu rosto cheio de lagrimas, não disse uma palavra, apenas me beijou e desapareceu na penumbra.

Senti o meu coração parando, já não tinha mais forças para continuar, a respiração estava se findando. Lentamente a vida foi deixando o meu corpo e tudo a minha volta enegrecia. Em um último ato eu ainda consegui sussurrar uma palavra “Vampirinha” e me entreguei ao desconhecido com um leve sorriso no rosto.

Natureza – Roteiro, curta metragem

ago
16

INT. SALA DE ESCRITÓRIO – DIA – MANHÃ

JOÃO está de pé no meio da sala, olhando para alguns quadros pendurados na parede. Seu semblante denúncia um sentimento nostálgico. Focamos nos quadros. No primeiro, vemos uma foto de um senhor e um garotinho que estão extremamentes felizes e sorridentes.

Baixe o roteiro aqui

Saudades

mar
06

Na solidão deste quarto delgado, apoio-me à janela para apreciar o horizonte. Lá fora; ouço apenas o murmúrio das ondas agitadas do mar, aquietando-se ao se fundirem com à areia da praia. Na escuridão da minha mente, você me guia, sua imagem me faz emergi das penumbras da ilusão, olhar para a realidade com lagrimas nos olhos. Assim que sinto ao pensar em você. Ah…, mas que belo sorriso é o seu; quando você sorrir, traços delicados delineiam o seu rosto divino, sua boca doce lembra-me o mel, nos teus olhos buliçosos vejo a ingenuidade e a inocência de como você ver a vida. Com efeito, me faz pensar o quanto a vida é bela, simples, delicada e resplandecente. O eflúvio da brisa do mar adentra as minhas narinas. Pouco a pouco, a minha alma arde de dentro para fora, dilacerando a minha carne, esvaecendo-se ao me acordar desse devaneio.

Translúcido – Roteiro, curta metragem

fev
19
          Termos de Roteiro                                                
                                                                           
          CAM: Câmera.                                                     
                                                                           
          FADE TO BLACK: A tela se fecha em preto, geralmente usado no     
          fim do episódio antes de aparecer os créditos.                   
                                                                           
          FADE IN: O surgir da imagem a partir de uma tela escura ou       
          clara, que gradualmente atinge a sua intensidade normal de       
          luz.                                                             
                                                                           
          ÂNGULO ALTO: Visão da câmera de cima para baixo.                 
                                                                           
          CÂMERA SUBJETIVA: Visão a partir dos olhos do personagem.        
                                                                           
          POV: O ponto de vista do personagem. É mostrado o que ele        
          vê. Durante o ataque de um assassino o ponto de vista da         
          vítima pode ver mãos enluvadas avançando em sua direção.         
          Isso é mostrado com as mãos avançando em direção à lente da      
          câmera.                                                          
                                                                           
                                                                           
          EXT. AVENIDA - DIA - MANHÃ                                       
                                                                           
                                                               FADE IN     
                                                                           
          Barulho de trovão. A CENA surge lentamente. ÂNGULO ALTO, um      
          HOMEM está parado entre uma multidão de pessoas, as quais        
          movimentam de um lado para outro, apressadas, preocupadas e      
          perdidas em seus pensamentos. CLOSE-UP em seu rosto, os          
          respingo de chuva escorrem pelo rosto do Homem, ele              
          permanece alí parado por alguns instantes.                       
                                                                           
          CÂMERA SUBJETIVA, o Homem observa as pessoas passarem na sua     
          frente. Volta para CLOSE-UP, o Homem pisca os olhos em SLOW      
          MOTION e sai do quadro. Lentamente a CAM se move para cima,      
          revelando os pingos de chuva caindo do céu.                      
                                                                           
                                                                           
          INT. LANCHONETE - DIA - MANHÃ                                    
                                                                           
          O Homem entra na lanchonete e caminha até o balcão, onde há      
          um ATENDENTE, que veste uma camisa branca, com listras           
          amarelas e uma calça jeans. Dentro da lanchonete há algumas      
          pessoas, que tomavam café tranquilamente, mas ao verem o         
          Homem entrar; elas olham para ele de forma repulsiva.            
                                                                           
                              ATENDENTE                                    
                    O que vai querer?                                      
                                                                           
          As pessoas voltam para as suas atividades.                       
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                           (CONTINUED)     
          CONTINUED:                                              2.       
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                              HOMEM                                        
                    Um copo de café, por favor.                            
                                                                           
          O Atendente prepara o café e entrega ao Homem.                   
                                                                           
                              ATENDENTE                                    
                    Deu dois reais.                                        
                                                                           
          O Homem retira uma nota de dez reais do seu bolso e coloca       
          em cima do balcão.                                               
                                                                           
                              ATENDENTE                                    
                    Desculpe, mas não aceitamos                            
                    pagamento em cédulas, apenas                           
                    cartão.                                                
                                                                           
                              HOMEM                                        
                    Mas não tenho cartão de crédito,                       
                    não uso isso.                                          
                                                                           
                              ATENDENTE                                    
                    É política de empresa.                                 
                                                                           
          O atendente dar de ombros e pega o copo de café. O Homem sai     
          da lanchonete.                                                   
                                                                           
                                                                           
          DO LADO DE FORA                                                  
                                                                           
          Ainda chove. O Homem coloca o seu capuz, enfia as mãos nos       
          bolsos da calça e caminha pela calçada, até parar em frente      
          a uma vitrine de uma loja de roupas.                             
                                                                           
          (POV) pelo vidro, ele vê uma linda mulher dentro da loja,        
          ela conversa e sorrir graciosamente com uma outra mulher. O      
          Homem a observa por alguns instantes, mas volta caminhar         
          pela calçada.                                                    
                                                                           
          (POV) Algumas pessoas passam por ele. As pessoas caminham        
          como zombis, e não despregam os olhos das telinhas               
          brilhantes em suas mãos. O Homem olha para um outdoor            
          digital, em um prédio do outro lado da rua. No outdoor está      
          passando um comercial de carro. Quando a propragrando acaba,     
          DOLLY IN uma legenda surge "Compre um carro e seja feliz". O     
          Homem volta caminhar pela calçada. Logo a frente.                
                                                                           
          (POV) Ele vê alguns policiais espancando alguém um beco. O       
          Homem para, mas não faz nada, ele volta a caminhar pela          
          calçada, até parar em um semáfaro. O Homem por alguns            
          instantes, pois o sinal ainda está vermelho para os              
          pedestres passarem. Algumas pessoas se arriscam e tentam         
          atravessar a pista, uma delas quase foi atropelada.              
                                                                           
                                                                           
                                                                           
                                                                  3.       
                                                                           
                                                                           
                                                                           
          EXT. ENTRADA DE UM SHOPPING CENTER - DIA - MANHÃ                 
                                                                           
          O Homem se depara com um MENDIGO sentado perto da entrada       
          do Shopping. O mendigo pedia esmola para as pessoas que         
          passavam, mas elas não o notava. O Homem para olha para         
          ele, retira uma nota de dez reais do bolso.                      
                                                                           
                              HOMEM                                        
                    Tome, é tudo que tenho.                                
                                                                           
          O Homem entrega a nota de dez reais ao mendigo.                 
                                                                           
                              MENDIGO                                     
                    Deus te pegue amigo.                                   
                                                                           
                              HOMEM                                        
                    Deus não me deve nada, mas creio                       
                    que essa nota talvez seja inútil,                      
                    pois ninguém aceita mais dinheiro,                     
                    a não ser que tenha um cartão.                         
                                                                           
                              MENDIGO                                     
                    Agradeço a preocupação, mas vou                        
                    fazer bom proveito dela.                               
                                                                           
          O Homem segue para entrada do Shopping.                          
                                                                           
                                                                           
          INT. SHOPPING - DIA - MANHÃ                                      
                                                                           
          Ao entrar no Shopping, o Homem nota que todos andavam como       
          zombies, olhando para um telinha brilhante em suas mãos.         
          Algumas sorriam para a telinha, outras se entristecem. A sua     
          esquerda, há dois casais sentados em uma mesa, mas ambos         
          olhavam para as telinhas em suas mãos, estavam tão pertos,       
          mas pareciam estarem distantes um do outro. Nas lojas, as        
          pessoas abarrotavam as mãos com sacolas de compras.              
                                                                           
          CAM foca em uma vitrine numa loja do segundo andar, há uma       
          placa de promoção. Dentro da loja, as pessoas correm de uma      
          lado para outro, esfomedas, selvagens; faziam de tudo para       
          pegar uma peça de roupa ou um par de sapatos primeiro.           
                                                                           
          Caminando pelo Shooping, o Homem vê banners, placas,             
          televisores, nos quais todos tem algo em comum. Publicidade      
          de produtos ou viagens, que sempre há uma imagem de pessoas      
          ou grupos, que esboçam um largo sorriso em seus rostos.          
                                                                           
          Ele sobe em uma escada rolante, indo parar na área de            
          alimentação. Entre todos na quele recinto, apenas um estava      
          sentado em uma mesa ao fundo do salão. Este não estava           
          comendo e nem havia motoados de sacolas de compras ao seu        
          lado, ou estava encarando uma telinha brilhante nas mãos,        
                                                                           
                                                           (CONTINUED)     
          CONTINUED:                                              4.       
                                                                           
                                                                           
                                                                           
          ele está apenas sentado, observando. A outra pessao o            
          encara, o Homem fica pasmo, pois a imagem a sua frente, era      
          a dele mesmo.                                                    
                                                                           
                                                                           
          INT. APARTAMENTO COMUM - SALA - NOITE                            
                                                                           
          É uma apartamento modesto, não há muitos móveis, apenais um      
          sofá, uma pequena mesinha de vidro no centro e uma instante      
          com livros ao lado da porta. O Homem entra e se senta no         
          sofá.                                                            
                                                                           
          CLOSE UP no rosto do Homem, ele fica imóvel, pensando sobre      
          o seu dia. ZOOM-IN lento, os olhos do Homem lacrimejam, fios     
          de lagrimas escorrem lentamente pelo seu rosto. O Homem          
          pisca.                                                           
                                                                           
                                                          FADE TO BLACK   
                                                                           
                                                                           

No fundo do poço

fev
04

Encarei o meu reflexo no espelho….

– Como cheguei a esse ponto? – pensei.

Eu estava um lixo, acabado. Lavei o meu rosto e voltei a fixar os meus olhos naquela imagem em decadência. Como sempre, o dia para mim era uma batalha infindável.

– Ahhh! Mais um dia! Quando isso vai acabar? – murmurei

No trabalho….

Eu olhava para tela do meu computador à minha frente, papeis empilhados ao meu lado, a desorganização na minha mesa era gritante, bem como o resto da minha vida. De repente, me deparei pensado nos tempos da juventude e refazendo as mesmas perguntas. O que aconteceu comigo?! Para onde foi aquele garotinho cheio de vida, entusiasmado e que um dia sonhava em conquistar o mundo?

Daí a pouco senti o gosto da amargura descer por minha garganta; sentia a respiração ofegante, o suor  escorrendo frio pelo meu corpo, pensava comigo mesmo que esse seria o meu fim, mas não era, era apenas a ansiedade batendo à porta.

Subitamente…

– Roberto! – me assustei, voltei à realidade. Olhei para o meu supervisor que me fitava.

– Que foi? – perguntei.

– Você é surdo?

– Não.

– Por que não atendeu o telefone?

– Desculpe, eu estava distraído, são problemas da vida… nada demais.

– Sem desculpas, preciso do relatório até sexta. E dessa vez, não se atrase, caso contrário, terei que tomar medidas drásticas.

– Pode deixar – respondi com a cabeça baixa.

– O que houve com você rapaz? Um dia você já foi um dos nossos melhores funcionários. Acho melhor você tirar o resto do dia de folga. Para ser franco, você está um lixo. Quando foi a última vez que você foi ao barbeiro e tomou um banho de verdade?

Ele tinha razão, eu havia me desleixado. Precisava de ar puro. Sai apressado do prédio e me sentei na calçada. Fios de lágrimas escorriam pelo meu rosto. Bradei-me a chorar…

– Por que a vida tem que ser tão difícil, por que precisamos sofrer tanto? – Dizia para mim mesmo sem uma resposta satisfatória.

Eu já não aguentava mais aquela carga emocional. O curioso era que as pessoas que passavam à minha volta, não me dava a mínima importância. Eu só precisava de um consolo, uma palavra amiga, mas sofria só, como muitos neste mundo. Estamos presos dentro de nós mesmos, cada qual em seu mundo obscuro e impenetrável.

Levantei-me e segui rumo à praça central, me sentei no primeiro banco que encontrei. Tempos depois, uma mulher que empurrava um carrinho de bebê, se senta ao meu lado. Dentro do carrinho, havia uma pequena e delicada flor, a qual aparentava ter menos de sete meses que estava aqui neste mundo. Aqueles olhos buliçosos, cheios de vida, encaravam-me, como se compreendesse o que eu estava sentindo. Seu rosto delineava um sorriso tão doce e ingênuo, que nunca o esqueci.

– Sorria o máximo que puder garotinha, você não tem a menor ideia do que a vida lhe aguarda. Ela é fria, cruel e impiedosa – disse eu.

A mulher olhou para min, de forma assustada, levantou-se e sai apressadamente sem olhar para trás.

Senti-me o coração arder, aquele não era eu. Fiquei ali, inerte, por horas, refletindo sobre a vida; sobre as minhas atitudes, procurando as causas dos meus problemas, do meu sofrimento, das minhas frustrações, eu procurava um culpado… uma desculpa, mas para a minha surpresa, não havia. Era primavera; tudo emanava vida e delicadeza. Nas arvores, as flores eram um espetáculo, cada qual mais bonita do que a outra, senti-me revigorado. Aí eu pude compreender que a vida é muito mais do que acreditamos ser. Que nada é por acaso, que sou responsável por cada ato, e os meus problemas eram insignificantes, frente as maravilhas da vida. Lembrei-me do sorriso ingênuo daquela garotinha. Isso me fez pensar que eu deveria sorrir mais, ser mais grato, ser menos apegado as coisas, que os problemas do passado já se foram, não precisava ficar me martirizando, culpando-me por algo que não podia controlar. O importante é aprender com os erros e seguir em frente, basta uma atitude de coragem e otimismo.

Levantei-me mudado e passei a olhar a vida, de uma outra perspectiva.

 

Se metendo em uma enrascada – Quem brinca com fogo acaba de se queimando

jan
31

– É o cara da esquerda chefe – ouviu Lucas, que estava com a cabeça vendada. Lucas acabará de acorda, não tinha a menor ideia de onde se encontrava e do que estava acontecendo, mas pelo cheiro de peixe podre que exalava, presumiu que estava em algum porto, aos arredores da Nova York.

– Quem é esse outro? – Perguntou um homem com uma vós estridente, sua vós passava um ar de frieza. Lucas também podia sentir um forte cheiro de charuto.

– Eu não sei chefe, ele não estava junto com esse maluco.

Fez bem em tirar a foto da placa do carro dele, bastou eu ligar para um contato do departamento de trânsito, que eles rastrearam a placa do carro em poucos minutos.

– Agora sai daqui! Me deve o dobro.

– Mas eu não perdi, ele roubou de min.

– Não importa! Para deixar de ser burro, terá que me pagar em dobro.

Lucas apenas ouve uma porta se fechando. De repente a venda é retirada, Lucas olha para o lado e vê Paulo sentado em uma cadeira ao seu lado, ele se sente desnorteado, ainda tentava compreender o que havia acontecido. Dois homens do acidente estavam em pé, ao lado de um homem barbudo, sentado em uma cadeira no meio deles. Este homem estava fumando um charuto. Ele degusta o charuto, sopra a fumaça para sim, de forma leve e paciente. O homem se levanta caminha de um lado para o outro e enfim, fala:

– Sabia que no oriente médio eles arrancam as mãos de quem rouba? – ele pausa e olha para o dois, que não tem a menor ideia do que ele estava falando.

– Eu não estou entendendo, o que você quer com a gente? – perguntou Lucas.

– É cara! o que fizemos?! – gritou Paulo.

O homem joga o charuto no chão e o esfrega com o pé.

– O que fizeram?! – gritou o homem.

– Vou fazer vocês de exemplo, vão aprender a nunca roubarem o cachorro louco!

– Senhor, você nos confundiu com a outra pessoa, nunca roubei ninguém, que dizer, roubei uma borracha na escola, quando eu era criança, mas isso já foi a muito tempo. Por favor, não nos mate, eu não roubei nada! – disse Lucas.

– Ah… mano, a droga! – sussurrou Paulo, para si mesmo.

– Senhor, você está enganado…

– Lucas, foi a droga que roubei daquele traficante – disse Paulo.

– Droga Paulo! Você sempre me mete nessas enrascadas!

– É! que belo amigo que você tem – disse o homem. Sinto muito por está nessa situação, rapaz, não é nada pessoal, são apenas negócios. Sabe, preciso dar o exemplo, seu eu deixarem vocês saírem ilesos, vão sair dizendo por aí que qualquer um pode roubar o cachorro louco e sair ileso. Assim, vou perder o respeito nas ruas. Bom, vamos andar logo com isso, tenho outros assuntos para resolver. Quem vai ser o primeiro?!

– Meu amigo não tem nada a ver com isso, deixe ele ir. Olha, ele é um cara legal, não fez nada para está nessa situação, só estava lugar errado na hora errada. Eu roubei a droga, então eu que estou com dívida com você.

– Admirável, mas será os dois. Vamos peguem! – ordenou aos dois homens.

– Por favor não, não precisa ser assim  – esperneava Lucas.

– Podemos pagar! – gritava Paulo.

– Não se trata de dinheiro, tenho uma reputação para manter.

– Vamos logo  que eu não tenho o dia todo!

Os capangas arrastam os dois para uma mesa e prendem as mãos deles. O homem barbudo pega um facão e desliza o dedo lentamente pelo corte do facão.

– Vamos lá! – quando o homem levanta o facão a cima de sua cabeça para desferir o golpe final, quando a porta do galpão é arrombada.

– FBI, mãos ao auto – gritou um agente encapuzado; é o cachorro louco, pegamos ele em flagrante – disse o agente ao rádio. Assim que o agente transpassa pela porta, mais outros surgem.

O cachorro Louco e seus capangas são presos…

Sendo tratados pelos paramédicos, Paulo e Lucas ainda estão apreensivos com o acontecido. Um agente se aproxima…

– Estávamos na cola desse patife a três meses, só esperando o momento certo. Parabéns rapazes, vocês ajudaram a captura o cachorro louco! – disse o agênte.

– Você?!

– Sim, precisei me disfarçar de traficante para chegar até o chefão, mas para prende-lo, tinha que pega-lo em flagrante, e você… roubando aquela droga, me deu a oportunidade certa.

– Seu filho da mãe, nos usou como isca!

– Sua mãe nunca disse: “quem brinca com fogo acaba se queimando?”

– Isso que é ironia  – disse Lucas.

De repente surge um mustang prateado, que encosta ao lado deles.

– Um pequeno agradecimento por ter ajudado o nosso departamento, mesmo que sem querer.

– Caramba! – preciso fazer isso mais vezes.

– Ha! Ha! Ha! Não, se fizer isso de novo, terei que prende-lo – disse o agente sorrindo, retirando-se.

No primeiro dia de trabalho do Lucas…

– Bom dia, Lucas, preparado para o primeiro dia de trabalho? –  disse Luciana.

– Com certeza- disse Lucas.

– E como foi o seu final de semana? – perguntou Luciana.

– Foi…- Lucas pensa por alguns instantes –  Não podia te sido melhor – disse Lucas, com um largo sorriso no rosto.

(FIM)

Se metendo em uma enrascada – A Ressaca

jan
28

Lucas acorda com um terrível dor de cabeça, quanto mais a sua visão se tornava nítida, ficava claro para Lucas, que onde ele estava, não era o seu quarto. As suas roupas estavam jogadas pelo chão e ele só estava apenas de cueca.

– Mas o quê?! – disse Lucas, apertando as palpebras com força, a fim de ter uma visão mais clara do recinto.

Ele se encontra em um típico quarto de república. Ao seu lado, há uma mulher dormindo; ela tem uma pele morena, macia e bem bronzeada, está na casa dos 24 anos e ela é de uma beleza média.

– Oi garanhão! – disse a mulher, que se levanta e caminha até o banheiro. Depois de alguns instantes, Lucas ouve o som do chuveiro.

Lucas fica inerte na cama, a sua cabeça dói, ao mesmo tempo que ele sente-se confuso, com medo e ansioso, percebe uma leve sensação de leveza; também sente a sua garganta seca. Lucas pega uma garrafa de água mineral, que estava em cima do balcão e a bebe loucamente.

– Caramba! Eu fiz sexo com a quela mulher?! Mas… Não me lembro de nada. Será se usei preservativos?! – Lucas fica mais preocupado, sonda a carteira para verificar se a camisinha que ele sempre carregava com sigo estava lá, para o caso de alguma emergência(o que era quase impossível de acontecer, até aquele momento). Para sua surpresa e preocupação, a camisinha estava na carteira. Lucas toma outro gole d’água e senta-se na cama, pasmo. Poucos segundos depois, ele ouve o som do chuveiro se findando e a mulher sai do quarto enrolada a uma toalha.

– Fizemos sexo? – perguntou Lucas.

– Oh! Sim, fizemos – disse a mulher, sorrindo.

– Sem proteção? – perguntou Lucas.

– Claro que não, eu sou prevenida; ela anda até a cômoda, ao lado da cama, e abre uma gaveta, onde há várias camisinhas.  Lucas respira aliviado.

– Como eu vim parar aqui? – perguntou Lucas.

– Não se lembra? – a mulher deixa cair a toalha, ficando-se nua, e abre o guarda roupas.

– Não.

– Estávamos na festa… – ela pega dois vestidos do guarda roupas; um Jeans Desbotado e outro Vestido Viscose e fica parada na frente do espelho, observando-os. Conversamos e bebemos a noite toda; continuou a mulher. Você me convidou para ir a outro lugar, aí eu perguntei para onde você queria ir, aí você disse: tanto faz. Bom, aqui estamos; ela se vira – qual desses você prefere?

– Qual você escolheu? – perguntou Lucas.

– Ah! Acho que esse Jeans.

– Eu gostei do Jeans – respondeu Lucas. Combina perfeitamente com você.

A mulher olha no espelho novamente, observa o vestido e se veste.

– O que você faz? – perguntou a mulher.

– Eu vou começar a trabalhar como diretor de arte na segunda – respondeu Lucas, vestindo a suas roupas.

– Legal – respondeu ela.

– Bom, preciso ir, tchau! – disse Lucas.

– Tchau! – respondeu a mulher. Lucas sai do quarto, mas volta segundos depois.

– Desculpa, mas qual é o seu nome? – perguntou Lucas, se sentindo embaraçado com toda aquela situação.

– Thais – respondeu a garota, sorrindo.

– Foi um prazer, Thais.

– Literalmente – disse a garota.

Ele fecha a porta e caminha vagarosamente até à cozinha da república, de repente, surge uma garota só de alcinha e sutiã.

– Oi – disse a garota.

– Ah! me desculpa – disse Lucas, tentando virar os olhos para o outro lado. A garota solta um leve sorriso no rosto e abre a geladeira, Lucas apreças os passos, rumo a porta da sala.

Do lado de fora; Lucas palpando os bolsos da calça, procurando o seu celular, mas não o encontra, então Lucas observa ao seu a redor e avista um orelhão do outro lado da rua. A danada da dor de cabeça ainda o perturbava.

– Alô! – disse a outra vós, no outro lado da linha.

– Paulo? – disse Lucas.

– Sim, quem é?

– Sou eu.

– Eu quem?!

– Lucas.

– Ahh! Lucas, a onde você está! Um instante você estava na festa, em outro não estava lá mais, você desapareceu.

– Eu não sei bem, eu acho que é uma república. Só sei que acordei no quarto de uma garota, com uma dor de cabeça infernal.

– Qual o nome da garota?

– Thais.

– Eu sei onde você está, não sai dai, já estou a caminho!

Alguns minutos mais tarde, Paulo chega com o seu carro, como sempre, exibindo-se a toda velocidade.

– Meu garoto! – disse Paulo. Toma, esqueceu lá na festa; entregando o celular para Lucas.

– Obrigado, eu achei que havia perdido.

– Você transou com a Thais?

– Acho que sim.

– Você acha ou tem certeza?

– Bom, ela disse que fizemos sexo, mas eu não me lembro.

– Normal, isso também já aconteceu comigo.

– Esses dois dias estão sendo uma loucura.

– Lucas, meu caro. Você é um cara de muita sorte; passou em uma entrevista e perdeu a virgindade no mesmo dia!

– Nada, eu nem pretendia. Sei lá, bebi de mais e aconteceu.

– Bom, considere-se feito – disse Paulo, dando um tapinha nas costa de Lucas.

De repente, eles sentem um impacto, e o carro capota duas vezes. Segundos depois; Lucas abre os olhos, os dois estavam de cabeça para baixo, presos ao sinto de segurança,  Paulo estava desacordado. A visão de Lucas, ainda estava ofuscada, mas ele pode ver dois homens se aproximando do carro. Um dos homens se abaixa e fica observando para o estrago do carro, admirando-se com o seu trabalho.

– Ajude-nos – tentava dizer Lucas, com a voz sussurrada, o curioso é que a dor de cabeça havia passado, Lucas só sentia a dor de um pequeno corte na testa.

O homem olha para Lucas; sorrir e lhe desfere um soco no rosto, Lucas se apaga.

(Continua)

 

Se metendo em uma enrascada – A Festa – Parte 3

jan
24

Os dois amigos chegam na festa. Lucas se sente mais relaxado.

– Festa pequena? – disse Lucas, que se surpreende ao ver vários carros estacionado na rua da casa de Alice.

– Deve ser dos vizinhos – disse Paulo.

– Sei – disse Lucas, sarcástico.

– Oiii! – disse uma Loira bonita, surgindo na porta. Ela está usando um batom vermelho como sangue, ela está vestida com uma saia provocantemente curta e, o seu decote é capaz de deixar qualquer homem louco.

– Oi, Alice – disse Paulo, que abraça ela de forma que aperta os seus seios ao seu peito, firmemente – Esse é o meu amigo Lucas.

– Oi – disse Lucas, que à cumprimenta com um aperto de mão, Alice apenas solta um leve sorriso.

– Vamos entrar – disse Alice.

Quando eles entram, se deparam com uma casa cheia de universitários, bêbados, casais se agarrando aos cantos das paredes, pessoas dançando e algumas pessoas conversando em grupos, que espiam e cochicham baixinhos:

– Quem é esse maluco? Onde ele pensa que está, em um casamento? – dizia alguns.

– Não estou gostando desse lugar – disse Lucas.

– Relaxa! – disse Paulo.

Um homem magricela passa na frente deles, segurando duas garrafas de cervejas.

– Tome, vai te ajudar a relaxar! – disse Paulo, que toma uma cerveja do homem magricela.

– Ei!!! Essa é minha! – reclamou o homem magricela.

– Algum problema?! – disse Paulo, peitando o magricela.

– Não… – disse o magricela, que sai.

Lucas dar uma golada na garrafa de cerveja.

– Vai com calma; disse Paulo – Paulo vê Alice conversando com algumas garotas, ao pé da escada – Espere aqui neste sofá, volto já! – Paulo caminha até perto de onde há uma garota dançando de forma sensual, que devorava o Lucas com os olhos, depois volta.

– Eu esqueci, pega a parada lá no carro, por favor! – gritou Paulo, jogando as chaves para o Lucas e voltando a prosseguir rumo à Alice.

Lucas se espreme entre as pessoas para sair da casa. Lá fora, ainda havia pessoas chegando, um homem vomitava nos arbustos do vizinho, perto de onde Paulo havia estacionado o carro.

– O que eu vim fazer aqui? Poderia está no meu belo apartamento, fazendo outra coisa melhor, mas não, eu tinha que ouvir o Paulo! – resmungava Lucas. Ele abre a porta e vê o pacote de maconha em cima do banco. Cara, isso vai dar merda! – disse Lucas.

Lucas volta para a festa, mas Paulo estava conversando distraidamente com Alice. Lucas senta no sofá, coloca o pacote em uma mesinha há sua frente e observa Paulo conversar com Alice, ao pé da escada. De vez em quando, Paulo cochichava nos ouvidos de Alice e ela soltava um gargalhada.

– Filho da mãe! – disse Paulo. Quando Paulo retoma a sua visão para a mesinha, a droga já não estava mais lá.

– Oxe?! – disse Paulo, assustado. Ele procura aos arredores, mas ao olhar para baixo, ele vê o pacote de maconha, que já estava aberto e caído no chão, ao lado dele, estava um homem magricela espumando pela boca e tendo convulsões.

– Socorro! Socorro! – Gritava Lucas. A festa parou repentinamente, todos voltaram à atenção para Lucas – Ele está tendo um overdose, alguém ajuda aqui!

Todos correm para verem o que estava acontecendo, tumultuando a sala.

– Deixe-me passar! Deixe-me passar! Eu posso ajudar! – disse uma vós entre a multidão.

– O que está acontecendo? – Perguntou o homem ao Lucas.

– Ele está tendo uma overdose  – disse Lucas, apontando para o homem magricela, caído no chão – Você é médico? – perguntou Lucas.

– Sim, dou aula de medicina na universidade.

O médico ajoelha ao lado do homem magricela e faz os procedimentos dos primeiros socorros. Dali a poucos minutos, o homem volta a respirar normalmente ele conta que tinha um problema de convulções, que isso lhe ocorre quase sempre. Aliviados, todos voltam a badalar. Lucas, se senta no sofá e reflete um pouco.

– Overdose de maconha?!  – disse Lucas, sorrindo de si mesmo. Ele encara o pacote de maconha que ainda estava caído no chão. Ah! que se dane! Lucas faz um cigarro e fuma ele todo, pega uma garrafa de cerveja dar um gole e entra no meio das pessoas, que dançando e começa a dançar e tomar cerveja freneticamente. Lucas mistura todo tipo de bebida; vodka, whiskey, cerveja e etc. Lucas já não conseguia sentir o seu rosto, estava bêbado, chapado e via o mundo girando ao seu redor  e aos poucos ele se ele vai perdendo a consciência e o controle sobre si mesmo, ele cai no chão e sua visão escurece.

(continua)