Josué Rockefeller

Escritor, roterista e engenheiro de software

Se metendo em uma enrascada – A Festa – Parte 1

dez
31

Lucas para na saído  da Logos para atender o celular.

– E aí, conseguiu? – perguntou a voz  no telefone.

– Sim, sim! Paulo – respondeu Lucas, entusiasmado.

– Isso merece uma comemoração, hoje à Alice vai dar um festa na casa dela, será uma festa simples, pouca bebida, poucos amigos e algumas gatas.

– Não sei, acho que prefiro ficar em casa mesmo, jogar GTA5 e assistir filmes.

– Deixa de ser gay, vamos pegar umas gatas. Cara! você merece, estudou bastante, deixou de ter vida social para ser bom no que faz, precisa sair um pouco, fazer novas amizades… Faz quanto tempo que você não transa?!

Lucas fica em silêncio por alguns instantes.

– Isso não é do seu interesse.

– Que nada, hoje você vai sair dessa seca, passo para te buscar as oito…

– Mas eu… filho da mãe! Desligou na minha cara!

– Táxi!

São por volta das sete e quarenta e cinco da noite, as ruas ainda estão bastantes movimentadas, os comércios já estão fechados, exceto os restaurantes e bares, alguns pedestres perambulam pelas calçadas. Um carro anda a toda velocidade, dentro do veículo, Paulo dirige com o braço para fora do carro, de forma relaxada, ele masca um chiclete e curte a brisa da noite, pela janela do carro. Paulo está vestindo uma jaqueta de couro vermelha, cabelo levemente penteado para trás, óculos escuro e uma calça desbotada. O Mustang vira a esquina cantando pneu e para em frente ao prédio, onde fica o apartamento do Lucas. Paulo buzina umas duas vezes.  Passado-se alguns segundos, Lucas surge na portaria do prédio, cumprimenta o porteiro e caminha na direção do carro, sorrindo. Lucas está vestido de esmoquin e gravata.

– Mas o quê?

– Que foi?! – perguntou Lucas.

– Que merda é essa que você está vestindo?

– Isso aqui é um esmoquin.

– Eu sei, mas pra quê?

– Ué! Estamos uma festa – disse Lucas, entrando no carro.

– É uma festa, não para um casamento!

– Então aguarda só um momento, vou subir para trocar de roupa.

– Deixa para lá, vai assim mesmo! Não quero chegar atrasado.

Lucas observa o interior do carro, o qual tem latas de cerveja e algumas caixas de hamburguer jogada no chão.

– Você sempre leva a casa no carro? – constatou Lucas, empurrando os entulhos para o lado para se sentar.

– É que eu não gosto de jogar o lixo na rua, então eu prefiro deixar dentro do carro mesmo. Assim, a primeira oportunidade que tiver, jogarei no lixo – respondeu Paulo.

Lucas olha para o banco de trás e se assusta, ao ver uma boneca sentada em uma cadeirinha de bebê.

– Porque você carrega essa boneca aí?

– É para lubridiar os guardas de trânsito.

– E funciona?

– Geralmente sim, quando os guardas ver uma boneca pela janela do carro, eles pensam que é uma criança.

– Isso é ridículo.

– Mas funciona – disse Paulo, sorrindo e acelerando o carro. O carro arranca, e sai a toda velocidade. Lucas aperta o sinto, um telefone toca.

– Pegue o telefone do porta luvas, por favor.

– Vai atender o telefone dirigindo?

– Sim.

Lucas pega o telefone e entrega para o Paulo.

– Oi gata! – ele esboça um leve sorriso no rosto, fica em silêncio por alguns instantes:

– Sim, já tá no papo, vou pegar hoje a tarde com o meu fornecedor. O produto é de boa qualidade.

– Quem era? – perguntou Lucas.

– Alice.

– Ahh! Bom, vamos ter que pegar uma coisinha no caminho.

– Que coisinha? – perguntou Lucas, curioso.

– Um coisa que irá animar a nossa noite, Lucas – Paulo cospe o chiclete pela janela do carro – Segura aí –  em seguida, dar um cavalo-de-pau e o carro pega velocidade, deixando marcas de pneu na pista, eles vão para o sentido contrário de onde estavam vindo.

(Continua)

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