Se metendo em uma enrascada – A Festa – Parte 2

O carro encosta em um beco escuro.

– Que lugar é esse?  – Perguntou Lucas.

– Preciso pegar uma parada, é essencial em toda as festas que se preze – Disse Paulo, saindo do carro.

– Que parada? Você não está falando de drogas, está?!

– Espere aqui, não demoro.

– Vai me deixar aqui?!

– É rápido! – disse Paulo, que já estava um pouco distante.

Paulo sobe uma escada, ao fim, tem um  homem todo encapuzado, encostado na parede. Ele veste roupas e tênis descolados, aparenta ter uns 26 anos de idade.

– Você tem a parada? – perguntou Paulo, ao homem.

O homem faz um gesto com a cabeça, chamando Paulo  para subira as escadas. Paulo segue o traficante, os dois entram em uma porta no fim da escada, virando a direita, perto de uma TV velha.

Lucas, preocupado, tranca as portas do carro.

Dentro da cabana tem um sofá velho, todo rasgado. No canto da parede, há uma televisão antiga em cima de alguns tijolos, no meio da salinha, há uma mesa de madeira velha.

– Espere aqui – O homem vai na cozinha, depois de alguns segundos ele  retorna com 1kg de maconha, uma balança e um saquinho de jujuba. O traficante coloca tudo em cima da mesa velha, abre o pacote e coloca um pouco de maconha no saquinho de jujuba, mede na balança “105g” e depois entrega para o Paulo.
– São 210,95 R$ – disse o traficante.

Paulo retira do 250,00 R$ do bolso e entrega ao traficante.

– Você não tem trocado? – perguntou o traficante.

– Não, é só o que tenho aqui.

– Sem problemas, aguenta um minutinho aí, vou pegar o seu troco – disse o traficante, que entra na cozinha. Paulo escuta o traficante derramando moedas em cima de alguma mesa na cozinha.

– Não usa aqui não! – disse o traficante, da cozinha.

– Pode ficar tranquilo, não vou usar aqui não, é para uma festa.

– Legal! – gritou o traficante.

Paulo espera pacientemente, ouvindo moedas tilintarem na cozinha. Ele repara o pequeno recinto e imagina como alguém poderia morar em um buraco como este? Para ele, todos os traficantes moram em casas de luxo, pois o trafico rende-lhes uma boa grana, mas talvez esse traficante esteja usando local apenas como fachada. O pacote de maconha na mesa chama a sua atenção, Paulo fica tentado com a quantidade de maconha que está em sua frente. Imagina o que poderia fazer com tudo aquilo? O saquinho de jujubas não era nada em relação a toda aquela maconha na mesa, duraria a noite inteira, a festa ia ser de mais.  Ele olha para o saquinho de jujubas e se desanima, Isso não vai dar nem para o começo, pensou ele.
Paulo pega o pacote de maconha e corre.

Lucas vê Paulo descendo à escada correndo, Paulo entra no carro desesperadamente e joga o pacote de maconha no banco de trás do carro.

– Isso é maconha?

– Sim – disse Paulo, ofegante e sorrindo, tentando ligar o carro.

– Você deu sorte, eras as minhas últimas moedas – disse o traficante, entrando na sala, mas Paulo não estava mais lá e nem o pacote de maconha, apenas o saquinho de jujubas – Desgraçado! – o traficante sai da espelunca a toda velocidade.

– Liga! Liga! – suplicava Paulo.

O traficante está descendo a escada, nervoso, saca a arma e atira na direção do carro.

– Droga! – gritou Lucas – Que merda você fez agora?!

Outro tiro, esse acerta janela tUraseira, que à estilhaça.

– Vamos! Vamos! Va… Aí! – o carro liga, Paulo acelera e sai a toda velocidade.

– Uhuuuu – gritou Paulo.

– Filho da puta! Você me paga – gritou o traficante, parado no meio da rua, atirando. Ele pega o celular e tira uma foto da placa do carro.

– Você é Louco, tem ideia do que acabou de fazer? E se ele vier atrás da gente?

– Há! que se dane, fique calmo cara, Já passou. Ele é só um traficante qualquer, não vai dar trabalho.  – Ficar calmo?! Você está falando sério?
Paulo apenas olha para Lucas e sorrir.
(Continua)

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